Investigação em artrite reumatoide vence prémio Pfizer

Modelo poderá poupar 20 milhões de euros ao SNS

16 dezembro 2013
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A investigadora e reumatologista Sandra Garcês foi a grande vencedora do prémio Investigação Clínica da Pfizer, anunciado no dia 12 de dezembro, com um modelo de otimização terapêutica de artrite reumatoide desenvolvido pela sua equipa.
 

Sandra Garcês, que trabalha no Hospital Garcia de Orta, em Almada, liderou a equipa que desenvolveu um algoritmo que otimiza a terapêutica a doentes com artrite reumatoide, uma patologia que afeta especialmente as articulações.
 

Segundo apurou a agência Lusa, o algoritmo serve de "de apoio à decisão clínica" e avalia a quantidade de medicamento no sangue e a presença de anticorpos contra fármacos biológicos bloqueadores de moléculas inflamatórias.
 

O modelo foi testado em 105 doentes por um período de um ano, tendo os participantes demonstrado uma "probabilidade de resposta à terapêutica cerca de dez vezes superior", comparativamente a outros doentes. A próxima etapa consistirá em testar e validar a dose mínima de medicamentos para cada doente.
 

Com os novos critérios de avaliação da resposta terapêutica propostos, será possível fazer um tratamento personalizado aos doentes, mais eficaz e com menos custos, e o Serviço Nacional de Saúde pode poupar até 20 milhões de euros por ano.
 

Segundo Sandra Garcês, muitos dos doentes, que respondem bem à terapêutica, têm sem necessidade "concentrações plasmáticas de fármaco muito elevadas, muito superiores às que estão preconizadas".
 

A reumatologista adiantou ainda que o algoritmo pode ser aplicado a outras doenças crónicas inflamatórias, igualmente incapacitantes, que são tratadas com os mesmos medicamentos, como as espondilartrites - artrite reativa, artrite da psoríase - e as artrites associadas a doenças inflamatórias do intestino, colite ulcerosa e doença de Crohn.
 

Foram também distinguidos os cientistas Luís Ferreira Moita e Margarida Amaral. Luís Ferreira Moita, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, conseguiu testar, com êxito, em ratinhos, a eficácia de um grupo de medicamentos no bloqueio da sépsis, que são habitualmente utilizados no tratamento do cancro.
 

Margarida Amaral, professora na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, integra uma equipa europeia que analisou cerca de 800 genes que, quando inibidos, diminuem a atividade da proteína ENaC, que está hiperativa nos doentes com fibrose quística.
 

A cerimónia de entrega dos prémios decorreu no dia 12 de dezembro, em Lisboa, e foi presidida pelo secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Leal da Costa, e pela secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira. Os prémios foram instituídos em 1955 e resultam de uma parceria entre os laboratórios Pfizer e a Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, sendo considerados os mais antigos na investigação biomédica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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