Investigação com embriões humanos aprovada em Portugal

Declarações de um especialista

13 outubro 2016
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O primeiro projeto de investigação com recurso a embriões humanos, que tem como objetivo estudar o processo de implantação embrionária, foi aprovado recentemente em Portugal.
 

De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), organismo responsável pela autorização de procedimentos desta natureza, a investigação apresenta “um potencial benefício para a humanidade”.
 

Esta é uma investigação da responsabilidade do Centro IVI (Instituto Valenciano de Infertilidade) de Lisboa e a Fundação IVI.
 

Segundo o presidente do CNPMA, Eurico Reis, trata-se do terceiro pedido que chegou a este organismo para utilização de embriões humanos que resultaram de tratamentos de infertilidade e estão criopreservados nos respetivos centros.
 

De acordo com a lei em vigor, os embriões que não tiverem sido transferidos devem ser criopreservados, comprometendo-se os beneficiários a utilizá-los em novo processo de transferência embrionária no prazo máximo de três anos.
 

A pedido do casal, os embriões poderão ser criopreservados mais três anos, período ao fim do qual a lei permite que os embriões sejam doados para outras pessoas ou para investigação científica.
 

Os dois primeiros pedidos de investigação com embriões humanos não avançaram, mas este terceiro foi devidamente autorizado, após o CNPMA ter reconhecido a sua “utilidade para a humanidade”.
 

Sérgio Soares, diretor da clínica IVI Lisboa, revelou à agência Lusa que o objetivo desta investigação é “entender mais a fundo como se dá o processo de implantação embrionária”.
 

“Isso é importantíssimo, tanto para podermos saber mais sobre o que ocorre na gravidez espontânea, como para entender o que ocorre nos tratamentos de procriação medicamente assistida”, disse.
 

O especialista referiu que “a implantação embrionária é o passo com mais baixo rendimento entre os vividos durante um tratamento de Fertilização In Vitro. Compreender esses processos é ganhar capacidade diagnóstica e terapêutica”.
 

Para esta investigação deverão ser utilizados cerca de 250 embriões, provenientes de tratamentos de infertilidade realizados no IVI Lisboa e que, por decisão do casal, não serão utilizados na concretização de novos projetos parentais.
Estes casais autorizaram especificamente o uso destes embriões em projetos de investigação científica, assegurou Sérgio Soares.
 

Sobre o facto de esta ser a primeira investigação com embriões humanos a avançar em Portugal, o médico considera-o “uma circunstância muito positiva”.
 

“Não imagino fim mais nobre para os embriões não considerados para um projeto parental do que a sua utilização em estudos como este, que têm, em última instância, o objetivo de promover a saúde reprodutiva”, disse.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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