Investigação Científica: o feminino pode fazer a diferença
24 novembro 2001
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O género dos investigadores, masculino ou feminino, pode ter influência no tipo de ciência que fazem, concluíram hoje especialistas internacionais reunidos na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa).
 

 

A Ciência é diferente quando é feita no feminino?
 

 

«Por exemplo, os contraceptivos orais já existiriam há mais tempo se as mulheres tivessem entrado mais cedo em campos científicos como a biologia», sublinhou Françoise Balibar, física e investigadora da Universidade Paris - VII, uma das duas oradoras convidadas pela Gulbenkian para o colóquio «O género da ciência e a ciência do género».
 

 

Apesar de realçarem que a ciência deveria ser teoricamente um lugar onde não existissem nem homens nem mulheres, concluíram que há campos científicos em que as investigadoras podem trazer diferentes métodos de acção e mesmo novas formas de colocar velhas questões.
 

 

«Se a matemática é aparentemente uma disciplina em que o género não é importante, o mesmo não se pode dizer de campos como as ciências de saúde», afirmou Alison Wylie, da Universidade de Washington.
 

 

A primatologia, referiu, é um exemplo paradigmático de uma área em que as mulheres dominam claramente, não só em número mas em liderança científica.
 

 

Decididamente, o género faz muita diferença...
 

 

A investigadora norte-americana sublinhou que ainda não é possível dizer que o género é indiferente na ciência.
 

 

«Apesar de a percentagem de mulheres estudantes em cursos de ciência ser cada vez maior, a presença feminina em carreiras universitárias, sobretudo em lugares de topo, continua a ser minoritária», acrescentou Wylie.
 

 

Alison Wylie, professora de Filosofia, citou como exemplo um movimento recente numa das mais prestigiadas instituições científicas dos Estados Unidos, o Massachusetts Institute of Technology (MIT).
 

 

Em 1999, um grupo de investigadoras do MIT apresentou à direcção um relatório em que resumiam as suas preocupações: queixavam-se de receber menos que os homens, de ter menos espaço para desenvolver as pesquisas e de lhes serem atribuídas menores responsabilidades.
 

 

Apesar de a direcção ter reconhecido o problema e de o estudo ter tido impacto para além das fronteiras do MIT, até agora não se verificaram resultados práticos.
 

 

«Em última análise não são só as mulheres que ficam prejudicadas mas é a própria ciência que se vê privada das suas contribuições», sublinhou.
 

 

O colóquio «O género da ciência e a ciência do género» está integrado num ciclo de conferências subordinado ao tema «A Ciência Tal Qual se Discute», organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, iniciado em Junho e que deverá terminar em Março de 2002.
 

 

E o que se passa em Portugal?
 

 

Segundo dados do Eurostat divulgados no início do mês, Portugal é o único país da União Europeia (UE) que consegue alcançar a paridade homem-mulher no mundo científico, com uma presença feminina de 53 por cento no sector público.
 

 

Os dados da agência estatística da UE, referentes a 1999, revelam ainda que dos investigadores portugueses na Universidade 43 por cento são mulheres, um valor só superado pela Irlanda (46 por cento) e pela Grécia (44 por cento).
 

 

No entanto, a nível comunitário, a presença feminina na ciência é baixa já que, em 1999, só 28 por cento dos investigadores na Universidade eram mulheres, valor que subia para 34 por cento no sector público.
 

 

Segundo o Eurostat, também na docência universitária as mulheres da UE estão sub-representadas, sendo apenas 26 por cento do total.
 

 

Ao examinarem com detalhe o posto que ocupam homens e mulheres na Universidade, os especialistas da agência estatística da UE constataram que a percentagem de mulheres é menor à medida que se sobe de escalão.
 

 

Quanto aos campos de investigação, há uma maior presença feminina em áreas como a da medicina (33 por cento), as ciências sociais e humanidades (32 por cento) e a agronomia (28 por cento) e mais baixa nas ciências naturais (23 por cento) e em engenharia e tecnologia (12 por cento).
 

 

Fonte: Lusa

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