Investigação ao cancro da mama revela fonte da juventude

Estudo divulgado na “Nature Cell Biology”

10 abril 2015
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Cientistas canadianos descobriram que o impacto do envelhecimento sobre os tecidos pode ser evitado quando são eliminados dois fatores que controlam o desenvolvimento destes.
 
Os tecidos podem ser considerados edifícios que se encontram em constante renovação. As metaloproteinases podem ser comparadas a empreiteiros, que se encontram sempre em movimento, a destruir e a reconstruir o tecido. Os inibidores tecidulares das metaloproteinases (TIMP, na sigla inglesa), neste caso, funcionam como arquitetos, que se encontram ao comando das operações e a dar instruções aos empreiteiros. Quando a comunicação entre arquiteto e empreiteiro não é fluída, o resultado pode ser a falência do edifício. No caso dos tecidos, o resultado pode ser o cancro.
 
De forma a perceber de que forma as metaloproteinases e os TIMP interagem entre si, cientistas da Universidade do Toronto analisaram diferentes tipos de ratinhos geneticamente modificados aos quais foram removidos um ou mais dos quatro tipos diferentes de TIMP. Esta análise revelou que, quando o TIMP1 e o TIMP3 se encontravam ausentes, o tecido mamário dos ratinhos permanecia jovem, mesmo em ratinhos velhos. 
 
Durante o processo de envelhecimento, os tecidos vão perdendo a capacidade de se desenvolverem e de se repararem à mesma velocidade com que o faziam quando eram mais novos. Isto ocorre porque as células estaminais, que são abundantes quando o tecido é jovem, vão perdendo o seu vigor com o passar do tempo. Neste caso, os cientistas canadianos descobriram que sem o TIMP1 e o TIMP3, o conjunto de células estaminais proliferaram e mantiveram-se funcionais ao longo de toda a vida dos ratinhos.
 
“Normalmente este conjunto de células estaminais, que atingem o seu pico aos seis meses de idade nos ratinhos, começaria a perder vigor. Em virtude disso, as glândulas mamárias começariam a degenerar, o que aumentaria o risco de ocorrência de cancro da mama”, explica Rama Khokha, líder do estudo. “No entanto, descobrimos que nestes ratinhos em particular, as células estaminais mantiveram-se constantemente num número elevado quando as medimos em todas as etapas da vida”.
 
A equipa de investigadores descobriu ainda que a manutenção do número elevado de células estaminais não correspondia a um maior risco de desenvolvimento de cancro.
 
“Normalmente assume-se que a presença de um grande número de células estaminais pode conduzir a um risco mais elevado de cancro”, refere a investigadora. “No entanto, descobrimos que estes ratinhos não apresentavam maior predisposição para cancro”.
 
De acordo com os investigadores, a próxima etapa será compreender por que razão isto acontece. Além disso, Khokha encontra-se a trabalhar com outros cientistas para verificar de que forma a remodelação de tecido modificado poderia prevenir o desenvolvimento de cancro ou conduzir a novas formas de tratamento.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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