Investigação abre caminho no tratamento da depressão e adição

Estudo da Universidade do Minho

12 setembro 2016
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Investigadores da Universidade do Minho (UMinho) constataram que a classe de neurónios D2 está associada aos estímulos positivos do prazer e motivação, ajudando a perceber o sistema de recompensa e "abrindo caminho" para tratar patologias como depressão e adição.
 

O estudo "ajuda a perceber melhor o sistema de recompensa, essencial na sobrevivência das espécies, que falha em doenças como a depressão, o défice de atenção e a adição de substâncias”, refere o comunicado de imprensa enviado pela universidade à agência Lusa.
 

A investigação, coordenada por Ana João Rodrigues e Nuno Sousa, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da UMinho refere que situações de prazer "ativam o circuito cerebral chamado sistema de recompensa", no qual se destacam os neurónios D1 e D2. Até à data, a comunidade científica associava os D1 ao processamento de estímulos positivos/prazer e os D2 a um papel relevante nos estímulos negativos.
 

Contudo, os investigadores provaram que ambos podem ter funções positivas no comportamento. Este estudo “é importante para compreender melhor como funciona o sistema de recompensa, que está disfuncional em patologias como a depressão e a adição, e pode abrir caminho para terapias direcionadas na eventual ativação daqueles neurónios”, refere o comunicado da UMinho.
 

Os investigadores realizaram testes em laboratório que envolveram duas espécies de roedores que tinham que carregar determinadas vezes numa alavanca para obter um doce como recompensa. Ao longo dos dias tinham de carregar cada vez mais para receberem o mesmo, provando que "quanto mais motivado o animal estava na tarefa, mais neurónios D1 e D2 ativava, carregando até 150 vezes por doce".
 

Numa segunda fase, os cientistas ativaram ou inibiram seletivamente estes neurónios durante a tarefa usando um laser. Verificou-se que a motivação do animal aumentava drasticamente ao ativar tanto os neurónios D1 como os D2, levando os ratinhos a carregar mais vezes na alavanca, e que a inibição dos neurónios D2 diminuía a sua motivação.
 

"Os resultados foram surpreendentes, pois mostraram que ambas as populações neuronais têm um papel pró-motivação, contrariamente ao que tinha vindo a ser proposto", explicaram Ana João Rodrigues e Nuno Sousa no texto divulgado pela instituição minhota.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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