Investigação à doença de Parkinson patrocinada pela Fundação Michael J. Fox

Estudo da Universidade de Coimbra

17 julho 2013
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Um estudo da Universidade de Coimbra, que está a analisar o papel do sistema imunitário na doença de Parkinson, recebeu um patrocínio de 250 mil dólares da Fundação do ator Michael J. Fox.
 

“A intervenção do sistema imunitário, mais especificamente as implicações de mutações genéticas nos linfócitos B, na doença de Parkinson, está a ser estudada, pela primeira vez, por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), através do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), da Faculdade de Medicina (FMUC) e do Centro Hospitalar e Universitário (CHUC)”.
 

A nota de imprensa da UC, à qual a agência Lusa teve acesso, explica também que “os linfócitos B são células do sistema imunitário com uma dupla função: produzem anticorpos contra os agentes causadores de doenças e participam na regulação da resposta imunitária através da interação com outras células”.
 

“No entanto, quando sofrem mutações genéticas, as suas funções podem ser afetadas, passando os linfócitos B a ter um papel importante no agravamento da doença”, diz o comunicado.
 

A UC refere que a equipa de investigadores focou-se no estudo da “mutação do gene LRRK2 (envolvida na comunicação dos linfócitos B com outras células), encontrada em pacientes com a doença de Parkinson”.
 

Numa primeira fase, adianta ainda a Universidade, através da análise de amostras de sangue de doentes de Parkinson, com e sem a mutação, e de voluntários saudáveis, descobriu-se que “a mutação parece estimular a morte precoce das células B, dificultando a sua comunicação com outras células do sistema imunitário”.
 

“Verificámos também que a mutação do gene faz com que as células B produzam anticorpos autorreativos contra uma proteína do sistema nervoso central – a alfa-sinucleína (proteína que ajuda na estabilização estrutural dos neurónios), tornando as estruturas do sistema nervoso como alvos a abater”, explica a coordenadora do estudo, Margarida Carneiro.
 

A investigadora explica que, ao ser mutado, o gene “comandante” (LRRK2) da “cascata” de sinalização de informação nos linfócitos B fica hiperativo e envia excesso de sinais, provocando uma reação desmedida em cadeia; vai agora tentar perceber-se como se processa este “curto-circuito”, com o “objetivo de encontrar uma forma de bloquear a sinalização em excesso e evitar a destruição indiscriminada de células do sistema nervoso porque, ao produzir demasiadas células autorreativas, o sistema imunitário fica desregulado”.
 

A mutação das LRRK2, nota a UC, “afeta um conjunto de células e os linfócitos B deixam de cumprir a sua missão, passando a contribuir para a destruição do cérebro”.
 

“Ao entender como tudo se passa, podemos avançar para o desenvolvimento de terapias capazes de destruir os linfócitos desregulados, permitindo, assim, desacelerar a progressão da doença de Parkinson, conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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