Inversão sexual

Descoberta de novo gene em ratos responsável pela mudança sexual

23 março 2001
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Cientistas norte-americanos da Washington University Medical School, em St. Louis, Missouri, descobriram inesperadamente que ratos geneticamente machos (que tinham o cromossoma Y) desenvolveram genitais femininos (inversão sexual) quando tinham um determinado gene desactivado.
 

 

O mesmo gene pode explicar certos casos de inversão sexual em humanos. Este fenómeno ocorre em 1 pessoa por cada 20.000, mas só 10% dos casos foram identificados como tendo causas genéticas específicas. Os autores deste novo estudo esperam que esta nova descoberta possa explicar pelo menos parte dos outros 90% dos casos. Para isso os investigadores sugerem um “screening” ao ADN dessas pessoas para verificar se esse gene, ou outros genes que o activam, estão ausentes.
 

 

O gene envolvido nesta investigação denomina-se Fgf9 e é responsável pela produção do factor de crescimento fibroblástico 9. Este gene estava já descrito anteriormente como relacionado com o desenvolvimento pulmonar.
 

 

Os cientistas, querendo estudar o desenvolvimento pulmonar nos ratos, modificaram-nos geneticamente, inactivando o gene Fgf9.
 

 

Constataram, sem surpresas, que os ratos não desenvolveram pulmões e nasceram portanto mortos. Como se suspeitava que este gene estaria de alguma forma ligado ao desenvolvimento da próstata, averiguaram o seu desenvolvimento nos ratos. Ficaram surpreendidos quando descobriram que 10 dos 12 “machos” (com cromossoma Y) não tinham próstata e desenvolveram órgãos genitais femininos em vez de masculinos.
 

 

Geneticistas britânicos tinham já descoberto um gene em 1990, o SRY, que se pensava ser o principal responsável pela “masculinidade” dos indivíduos. Agora, parece que este novo gene (Fgf9) está também implicado. O Fgf9, segundo os autores, parece ser importante em duas etapas-chave do desenvolvimento genital masculino: acciona a multiplicação das células que vão formar os testículos e coordena a migração destas células para os locais onde os testículos se vão desenvolver.
 

 

Na ausência destes dois acontecimentos os testículos não se desenvolvem e os órgãos sexuais femininos desenvolvem-se por defeito.
 

 

Adaptado por
 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

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