Introdução do teste da hepatite C nas análises de rotina

Defende coordenador do Colégio de Hepatologia da Ordem dos Médicos

26 julho 2013
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A criação de um plano nacional de prevenção e diagnóstico das doenças do fígado e a introdução do teste da hepatite C nas análises de rotina, foram defendidas pelo coordenador do Colégio de Hepatologia da Ordem dos Médicos.
 

“A doença do fígado mata de várias maneiras”, através da cirrose, que tem várias causas, sendo a principal o álcool, seguida das hepatites B e C e do cancro do fígado, que tem vindo a aumentar em Portugal”, disse Rui Tato Marinho à agência Lusa.
 

O facto de ser uma doença “muito complexa” e das que “mais mata” - constitui a sétima causa de morte em Portugal - necessita de um “planeamento estratégico”, que integre os profissionais de saúde e os decisores políticos, sustentou o hepatologista, observando que já existem vários programas nacionais de saúde para diversas áreas, como o VIH e a tuberculose.
 

De acordo com Rui Tato Marinho, as doenças do fígado têm de ser abordadas de uma forma global: saber se é um doente com sida, alcoólico, com hepatite C, com cancro ou se precisa de um transplante hepático.
 

Segundos os dados apresentados em abril numa reunião da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) estima-se que existam entre 100 a 150 mil portadores de hepatite C, sendo que apenas 30% sabem que estão infetados, e que morram cerca de 984 doentes devido à infeção pelo vírus da hepatite C (VHC) anualmente em Portugal.
 

O especialista defendeu a necessidade de se melhorar a taxa de diagnóstico e a gestão eficiente das várias formas da doença para evitar que evolua para “estadios mais avançados”. Lembrou ainda que a hepatite C é passível de cura em cerca de 70% dos casos e, com os novos medicamentos que vão estar disponíveis, atingirá quase 90% dos casos.
 

Contudo, há pessoas que vivem vários anos com hepatite C sem saberem, porque é “uma doença silenciosa, sem sintomas”.
 

“Aparecem-nos doentes com cancros muito avançados que tinham a doença há 30 ou 40 anos sem saberem”, contou Tato Marinho, defendendo que, para evitar estas situações, o teste à hepatite C devia fazer parte da avaliação de rotina do doente.
 

“Quem faz um hemograma, uma análise ao açúcar no sangue, ao colesterol devia também fazer uma análise ao fígado”, sustentou, acrescentando que se evitaria complicações mais graves da doença e o Estado pouparia muito dinheiro em tratamento.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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