Intoxicações alimentares em Portugal: 421 casos em 2015

Estudo dos departamentos de Alimentação e Nutrição e de Doenças Infeciosas do Instituto Ricardo Jorge

22 fevereiro 2017
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Mais de 400 pessoas sofreram intoxicações alimentares em Portugal em 2015, a maioria por consumo de alimentos fora de casa, foi o resultado de um estudo dos departamentos de Alimentação e Nutrição e de Doenças Infeciosas do Instituto Ricardo Jorge.
 
Segundo a agência Lusa, o estudo apontou que o tratamento térmico inadequado, abusos de tempo/temperatura e a ocorrência de contaminações cruzadas continuam a ser os fatores que mais contribuem para a ocorrência de surtos de toxinfeções alimentares.
 
O estudo conduzido pelo Instituto Ricardo Jorge teve por base a análise de dados de 20 surtos de toxinfeção alimentar ocorridos em Portugal em 2015, tendo sido afetadas 421 pessoas, das quais 96 foram hospitalizadas.
 
De 2010 a 2015 foram registados 62 surtos, que resultaram em 1.485 intoxicações e 171 hospitalizações. Segundo a investigação laboratorial de surtos de toxinfeções alimentares, não foram reportados óbitos.
 
Em 2015, a força da evidência dos surtos foi forte em oito casos e fraca em 12, sendo que esta distinção está relacionada com a suspeita “forte” ou “fraca” dirigida a determinado veículo alimentar.
 
O agente causal e/ou suas toxinas foram identificados em 50 por cento dos surtos, nomeadamente na toxina botulínica tipo B, C. per fringens, Salmonella Enteritidis, Listeria monocy togenes serogrupo IVb, E. coli verotoxigénica não-O157, Enterotoxina estafilocócica tipo A e Shigella sonnei.
 
O local onde os alimentos foram consumidos ou onde ocorreu uma ou mais etapas finais de preparação foi identificado em 90% dos surtos: 75% em locais públicos (instituições, residenciais, cantinas/bares de escolas, colégios, infantários, creches, restaurantes, hospitais, lares de idosos) e 25% em casa, ou seja, todos os doentes envolvidos pertenciam ao mesmo agregado familiar.
 
De acordo com o estudo, considera-se um surto de toxinfeção alimentar uma doença infeciosa ou tóxica que afeta dois ou mais indivíduos, causada, ou que se suspeita ter sido causada, pelo consumo de género(s) alimentício(s) ou água contaminados por microrganismos, suas toxinas ou metabolitos.
 
Embora as toxinfeções alimentares sejam causa de morbilidade e mortalidade em todo o mundo, podem ser prevenidas pela minimização dos fatores que estão na sua origem.
 
Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA, sigla em inglês) analisa os dados sobre surtos ocorridos enviados pelos Estados-Membros e prepara um relatório anual, em colaboração com O Centro Europeu De Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC na sua sigla em inglês). 
 
É, deste modo, gerada evidência científica que permitirá a otimização dos sistemas de segurança alimentar implementados, assim como os programas de educação para a saúde, minimizando o impacto humano, económico e social destas doenças na Europa.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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