Intoxicação alimentar pode matar um ano depois da doença

Problema é mais frequente e mais grave do que se pensa, diz estudo

13 março 2003
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Os riscos causados por alimentos infectados por bactérias como a salmonela são maiores do que se pensava e causam mais mortes do que se imaginava, refere um grupo de cientistas dinamarqueses.
 

 

A salmonela, presente em produtos derivados de aves e ovos, e a campilobactéria, que é encontrada na galinha, são as principais causas de alimentos contaminados.
 

 

Na maioria dos casos, as infecções não são sérias e resultam em alguns dias de diarreia, vómitos ou febre, mas nos mais novos, bem como nos idosos e em portadores de doenças crónicas, como diabetes ou HIV, podem mesmo ser fatais.
 

 

Os cientistas do Instituto Statens Serum, em Copenhaga, acreditam que o número de mortes causadas por comida envenenada poderia ser, na verdade, duas vezes maior do que actualmente se estima, e pode ocorrer até um ano depois da contaminação. «Isto não foi estudado antes porque as pessoas sempre pensaram na salmonela e na campilobactéria como infecções agudas. Mas o que observamos na investigação é que para parte dos doentes há um excesso de mortalidade tardia, que acontece até um ano depois da infecção», disse Molbak em entrevista à agência Reuters.
 

 

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos Estados Unidos, estima que, a cada ano que passa, cerca de 5.200 pessoas morram no país em consequência da ingestão de alimentos contaminados. Mas os investigadores dinamarqueses acreditam que os números verdadeiros possam ser duas vezes mais altos.
 

 

Tudo porque, alegam os cientistas, as mortes por esta causa são subestimadas porque em geral ocorrem num prazo de 30 dias a contar da infecção e há muito poucos dados sobre o que ocorre num período maior de tempo. Assim, as mortes causadas por alimentos contaminados podem ser erroneamente atribuídas a outras doenças.
 

 

No trabalho publicado British Medical Journal, os cientistas dinamarqueses relatam ter estudado o histórico médico de 1.071 pessoas que morreram no prazo de um ano após a infecção por salmonela, campilobactéria, Yersinia enterocolítica - encontrada na carne de porco - e shigella -encontrada principalmente em frutas e vegetais importados.
 

 

As mortes no primeiro ano após a contaminação representaram 2,2 por cento nas pessoas que ingeriram alimentos envenenados, em comparação com 0,7 por cento de um grupo de controlo de 3.636 pessoas.
 

 

Para evitar estas situações graves, os cientistas aconselharam as pessoas a cozinharem bem a carne e a lavar bem frutas e vegetais em água limpa e a evitar a contaminação, que pode ser tratada com antibióticos. Tudo porque, acrescentaram, o uso exagerado de antibióticos pode levar ao desenvolvimento de bactérias resistentes aos fármacos. Na Dinamarca, cerca de 90 mortes por ano devem-se a alimentos contaminados, de acordo com estudo.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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