Intolerantes à lactose apresentam menor risco de cancro

Estudo publicado na revista “Nature”

13 novembro 2014
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Os indivíduos com intolerância à lactose apresentam um menor risco de desenvolvimento de cancro do pulmão, mama e ovários, revela um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que a incidência do cancro da mama e ovário difere bastante em várias zonas do mundo. Sabe-se que a incidência deste tipo de cancro é mais elevada na América do Norte, Europa Ocidental e Escandinávia e mais baixa na África Oriental e Central. Estudos realizados em imigrantes e gémeos têm sugerido que estas diferenças devem-se a fatores ambientais e não a fatores genéticos ou diferenças étnicas.
 

Alguns investigadores suspeitam que o elevado consumo de leite e produtos lácteos tem contribuído para a elevada incidência de cancro na América do Norte e Europa Ocidental. Contudo, os estudos realizados até à data têm sido inconclusivos.
 

De forma a tentar elucidar esta questão, os investigadores da Universidade de Lund, na Suécia, decidiram analisar se um baixo consumo de leite e seus derivados protegia os indivíduos intolerantes à lactose do cancro da mama, ovário e pulmão. O estudo inclui a participação de 22.788 indivíduos intolerantes à lactose.
 

O estudo apurou que o risco de desenvolvimento de cancro da mama, ovário e pulmão era significativamente mais baixo nos indivíduos intolerantes à lactose, comparativamente com aqueles que não tinham este tipo de intolerância alimentar. Estes resultados foram independentes do país de nascença ou sexo dos participantes.
 

Por outro lado, os investigadores verificaram que o risco de os irmãos ou pais desenvolverem este tipo de cancros era semelhante aos encontrados na restante população. “Isto sugere que o risco baixo de cancro nos indivíduos intolerantes à lactose pode ser devido à sua dieta”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Jianguang Ji.
 

O investigador refere que, no entanto, é errado concluir que o leite é um fator de risco para estes tipos de cancro. “Fatores como uma menor ingestão calórica devido ao baixo consumo de leite ou os fatores protetores associados às bebidas lácteas baseadas em plantas podem contribuir para a associação negativa entre a intolerância à lactose e risco de cancro”, explicou o investigador.

 

"Devemos interpretar estes resultados com cautela, pois a associação que descobrimos é insuficiente para concluir um efeito causal. Assim, são necessários mais estudos para identificar os fatores que explicam os resultados deste estudo”, conclui Jianguang Ji.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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