Intestinos alteram estrutura celular consoante os nutrientes

Estudo publicado na revista “Developmental Cell”

25 setembro 2018
  |  Partilhar:
Alguns órgãos passam por alterações estruturais em resposta aos nutrientes alimentares, podendo exercer impactos prolongados sobre o metabolismo e na suscetibilidade para desenvolver cancro, apurou um estudo recente.
 
O achado foi efetuado com base em moscas da fruta, por investigadores do Instituto Carnegie, em Washington, EUA. 
 
Os investigadores explicaram que o uso da mosca da fruta como modelo foi devido ao facto de este inseto ser o sistema experimental mais sensível a detetar alterações celulares induzidas pela alimentação que são semelhantes às observadas nos mamíferos.
 
Os três tipos de células principais dos intestinos dos mamíferos (e da mosca da fruta) são células estaminais, células produtoras de hormonas e células que processam os nutrientes. As células estaminais, como se sabe, serão eventualmente programadas para se tornarem produtoras de hormonas ou processadoras de nutrientes. 
 
A equipa descobriu que a programação celular pode ser influenciada pelos nutrientes proporcionados pela alimentação e que os animais mais jovens são mais sensíveis a estas alterações. As alterações no colesterol alimentar alteram particularmente a programação celular das células estaminais para células especializadas. 
 
O colesterol promove a programação de mais células estaminais para células produtoras de hormonas em vez de células processadoras de nutrientes. A redução do colesterol através da alimentação resulta assim em mais células que absorvem nutrientes e menos células produtoras de hormonas. 
 
Isto demonstra que a redução no acesso a nutrientes, especialmente nos primeiros tempos de vida, que é o caso de uma alimentação com pouco colesterol para a mosca da fruta, desencadeia alterações na estrutura e metabolismo intestinal com efeitos duradouros. 
 
Estas alterações persistem mesmo após alterações na alimentação, podendo aumentar o risco de problemas metabólicos numa fase posterior da vida. “As crianças nascidas de mães malnutridas frequentemente têm problemas de obesidade mais tarde na vida e os nossos achados poderão explicar a fisiologia da razão pela qual isso acontece”, comentou Rebecca Obniski, líder do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar