Intervenções precoces promovem hábitos saudáveis

Estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”

01 outubro 2015
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A introdução de comportamentos saudáveis nas crianças em idade pré-escolar melhora o seu conhecimento, atitude e hábitos relativamente à adoção de uma dieta saudável e prática de exercício físico, o que poderá conduzir a uma redução da gordura corporal, atesta um estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”.
 
Os investigadores preveem que este tipo de intervenções precoces não só se traduza num conhecimento duradouro dos hábitos saudáveis, como também possa encorajar os pais a adotar estilos de vida saudáveis. O estudo apurou que a adoção de dietas pouco saudáveis desde cedo pode contribuir para a doença cardiovascular mais tarde na vida e que determinadas condições de doença cardíaca podem ser definidas aos três anos de idade.
 
Para o estudo os investigadores contaram com a participação de mais de duas mil crianças oriundas de 24 escolas públicas de Madrid. As crianças foram submetidas a um programa de intervenção de estilo de vida saudável que envolveu a escola, professores e família com o intuito de promover a saúde cardiovascular através de dieta saudável, aumento da atividade física, a compreensão do corpo humano e gestão de emoções.
 
As crianças foram acompanhadas ao longo do programa e expostas a intervenções de estilo de vida ao longo de três, dois ou um, ano dependendo da idade que tinham no início do programa. Os participantes foram avaliados por psicólogos pediátricos no início do programa e anualmente ao longo de três anos através de um questionário para determinar o seu conhecimento, atitude e hábitos relativamente à dieta, prática de atividade física e corpo humano.
 
O estudo apurou que as crianças inseridas no programa tiveram um pontuação 5,5%, 7,7% e 4,9% maior no conhecimento, atitude e hábitos do que aquelas que não receberam qualquer intervenção após o primeiro, segundo e terceiro ano, respetivamente.
 
No geral as pontuações foram influenciadas pelo nível de escolaridade e capacidade financeira dos pais. Não houve diferença na pontuação quando foi tida em conta a idade dos pais, mas verificou-se um maior impacto na pontuação nas crianças cujos pais eram de origem europeia.
 
Foram também medidos o peso corporal, estatura, perímetro da cintura, dobras cutâneas e Índice de Massa Corporal (IMC). A prevalência de obesidade entre as crianças no final de três anos foi de 1,1% no grupo de intervenção, comparativamente com 1,3% no grupo de controlo. O total de crianças com excesso de peso foi de 7% no grupo de intervenção e 7,4% no grupo de controlo. As maiores mudanças positivas na gordura corporal foram observadas nas crianças com três anos de idade que tiveram três anos de intervenções. As intervenções com uma duração de menos de dois anos não foram bem-sucedidas na redução da gordura corporal.
 
"Até agora, os médicos têm-se centrado na doença cardiovascular, a qual se manifesta normalmente em fases posteriores da vida. Agora, temos de concentrar a nossa atenção na fase oposta da vida – precisamos de começar a promover a saúde nos primeiros anos, entre os três e os cinco anos de idade, para prevenir a doença cardiovascular", conclui uma das autoras do estudo, Valentin Fuster.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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