Intervenção na reabilitação de agressores juvenis: necessários novos modelos

Defende especialista

10 maio 2016
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A necessidade de apostar em novos modelos de intervenção na reabilitação de agressores juvenis e em novos programas de proteção de jovens vítimas de crime foi defendida por um investigador da Universidade de Coimbra.
 
“Vários estudos mostram que não basta atuar nos problemas de comportamento. É essencial implementar políticas de intervenção em saúde mental no sistema de justiça juvenil” uma vez que, de acordo com um estudo recente, a prevalência de perturbações mentais dos jovens em contacto com a justiça é de “90%”, referiu à agência Lusa Daniel Rijo.
 
O professor da Universidade de Coimbra foi um dos autores do Programa de Avaliação e Intervenção Psicoterapêutica no Âmbito da Justiça Juvenil promovido pela Direção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) e cofinanciado pela Comissão Europeia.
 
A propósito de um congresso que irá debater esta semana, no Porto, as relações entre a saúde mental e a delinquência juvenil, o investigador referiu à agência Lusa que na avaliação realizada em 2014 para a DGRSP “mais de 90% dos jovens que foram entrevistados apresentavam pelo menos uma perturbação psiquiátrica”.
 
Estas incluem “perturbações de comportamento, de oposição e desafio, de défice de atenção e hiperatividade, de stress pós traumático e perturbação de ansiedade social”, referiu
 
A realidade é que “o facto de serem trabalhados pela justiça ou pela proteção de menores em vez de facilitar o acesso aos cuidados de saúde mental, às vezes, acaba por ser uma barreira e um entrave. Ou seja, não são avaliados, não são intervencionados, muitos deles não têm acesso a um tratamento pedopsiquiátrico ou psicoterapêutico adequado”, acrescentou o investigador.
 
O 5.º Congresso Internacional da EFCAP – European Association for Forensic Child and Adolescent Psychiatry, Psychology and other involved Professions, que vai decorrer na Faculdade de Medicina do Porto, nos próximos dias 11, 12 e 13 de maio, tem como objetivo chamar a atenção para “as necessidades de intervenção em saúde mental quer dos menores agressores quer dos menores vítimas”.
 
O objetivo é “melhorar, potenciar ou chamar a atenção para a necessidade deste interface que tem de haver entre os profissionais de saúde mental e os profissionais que trabalham em contexto de justiça”.
 
De acordo com o investigador há alguns estudos que mostram que “os jovens mais severamente perturbados do ponto de vista da saúde mental são aqueles também para quem as medidas da justiça mais falham. Não é só um fator de agravamento mas também um fator que diminui a resposta às intervenções. São mais difíceis de reabilitar se não se trabalhar essa variável”.
 
“Os recursos que neste momento estão alocados a esta área são muito lacunares, falha muito, é preciso fazer muito mais”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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