Intervenção melhora competências sociais de crianças nascidas prematuramente

Estudo publicado no periódico “Child Development”

20 abril 2015
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Um novo estudo longitudinal levado a cabo por cientistas noruegueses identificou uma intervenção capaz de melhorar as competências sociais de crianças nascidas prematuramente.
 
11% de todos os partos no mundo são pré-termo, ou seja, partos que ocorrem antes da 37ª semana de gravidez, e estão relacionados com um número significativo de mortes de recém-nascidos ou com problemas neurológicos a longo prazo. De acordo com os cientistas, 40% das crianças prematuras desenvolvem problemas de atenção ou de adaptação ao longo da escola primária, necessitando, muitas vezes, de apoio especializado.
 
No estudo conduzido pelo Hospital Universitário do Norte da Noruega e pela Universidade Ártica da Noruega, foi realizada uma intervenção junto dos pais de 72 crianças prematuras logo após o nascimento e nas quatro semanas seguintes. A intervenção, denominada “Mother Infant Transaction Program” (“Programa de Transação Mãe Criança” ou MITP, sigla inglesa), consistia em 11 sessões de uma hora cada (algumas no hospital, antes da alta, outras em casa) durante as quais os pais tinham a possibilidade de partilhar as suas experiências relacionadas com a gravidez e o parto com um profissional de enfermagem. Além disso, estas sessões permitiam ainda que os pais aprendessem a interpretar os pontos fortes e limitações dos seus filhos.
 
Esta intervenção tinha como objetivo promover uma relação mais positiva entre pais e filhos, assim como aumentar o entusiasmo dos pais em relação aos filhos e ampliar o seu sentido de empoderamento enquanto pais. 
 
Os investigadores receberam relatórios de pais e professores acerca do comportamento das crianças até aos nove anos de idade destas. O desenvolvimento comportamental destas 72 crianças nascidas prematuramente foi comparado com o de 74 crianças prematuras cujos pais não tinham participado na intervenção e com o de 75 crianças que tinham nascido após uma gravidez de termo e cujos pais também não tinham participado na intervenção.
 
Os resultados da análise a estes dados revelaram que as crianças entre os sete e nove anos de idade cujos pais tinham participado na intervenção apresentavam significativamente menos problemas de atenção e tinham conseguido adaptar-se melhor à escola do que aquelas crianças prematuras cujos pais não tinham participado na intervenção.
 
Aos nove anos de idade, as crianças que tinham nascido prematuramente e cujos pais tinham participado na intervenção apresentavam comportamento e competências sociais semelhantes às crianças que tinham nascido após uma gravidez de termo. As crianças prematuras cujos pais não tinham participado na intervenção apresentavam mais problemas comportamentais e sociais. 
 
Além disso, os pais das crianças prematuras que não tinham participado na intervenção relataram ter recorrido a apoio pedopsiquiátrico duas vezes mais do que os pais que participaram na intervenção.
 
Inger Pauline Landsem, autora do estudo e doutoranda, referiu em comunicado que “estes achados sugerem que uma intervenção atempada é benéfica tanto para pais como para crianças nascidas prematuramente”. “Com a ajuda da intervenção MITP, as crianças prematuras podem ultrapassar as dificuldades mais comuns nos primeiros anos de escola”, acrescenta.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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