Intervenção dos enfermeiros em saúde mental melhora ansiedade

Estudo publicado no “Journal of Advanced Nursing”

07 fevereiro 2018
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Um estudo concluiu que a intervenção de enfermeiros especialistas em saúde mental, aliada à medicação, é significativamente mais eficaz a reduzir os níveis de ansiedade quando comparada com o tratamento apenas com medicamentos.
 
A investigação, a que a Lusa teve acesso, foi realizada por um grupo de investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e da Escola Superior de Enfermagem do Porto e pretendia avaliar a eficácia da intervenção psicoterapêutica da Enfermagem em adultos portugueses entre os 18 e os 64 anos com ansiedade, enquanto sintoma, em níveis patológicos.
 
Os resultados indicam um “efeito positivo da intervenção psicoterapêutica da enfermagem”, realizada por um enfermeiro especialista em saúde mental, registando-se uma clara diminuição dos níveis de ansiedade e um aumento do autocontrolo da ansiedade no final das cinco sessões (45 a 60 minutos/semana) realizadas em cinco semanas consecutivas.
 
Francisco Sampaio, investigador do CINTESIS, esclareceu que “os indivíduos que receberam apenas farmacoterapia melhoraram a ansiedade, mas não melhoraram o seu autocontrolo, enquanto os que receberam farmacoterapia e intervenção psicoterapêutica melhoraram mais significativamente os níveis de ansiedade e melhoraram também significativamente o autocontrolo da ansiedade”.
 
“Isto é fundamental porque, se as pessoas não adquirem estratégias de autocontrolo da ansiedade, no futuro não serão capazes de lidar com a mesma sem o recurso a fármacos”, sublinha o investigador.
 
Neste estudo, a intervenção psicoterapêutica de enfermagem é composta por um conjunto de técnicas, que podem incluir, “entre outras, terapia de relaxamento, aconselhamento e intervenção em crise”.
 
Dados da Direção-Geral da Saúde, de 2013, indicam que as perturbações da ansiedade afetam 16,5% dos portugueses. Porém, de acordo com os investigadores, “a ansiedade patológica, enquanto sintoma, não existe apenas nas perturbações de ansiedade. É muito frequente, por exemplo, nas perturbações depressivas, que afetam 7,9% dos portugueses”.
 
Feitas as contas, calcula-se que cerca de um quarto da população tenha ansiedade em níveis patológicos, um número que, ainda assim, pode estar “subestimado”, acrescentam.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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