Intervenção cardíaca inédita a bebé prematuro

Equipa realizou um “trabalho extraordinário”

26 agosto 2013
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O Hospital de Santa Cruz realizou uma intervenção cardíaca para abrir a válvula pulmonar de um bebé que tinha nascido com apenas 28 semanas de gestação e pesava pouco mais de um quilo de peso. O bebé foi submetido à cirurgia com apenas três semanas de vida.

 

Segundo a agência Lusa, a cirurgia, que foi realizada com sucesso, é inédita em Portugal devido ao baixo peso do bebé. A intervenção foi o resultado de um trabalho conjunto entre a equipa de neonatologia do Hospital de Santa Maria, onde o bebé nasceu e tem sido seguido antes e após a intervenção, e o Hospital de Santa Cruz, que realizou a cirurgia.

 

O baixo peso do bebé e a sua prematuridade fizeram desta cirurgia uma intervenção inédita, uma vez que os órgãos ainda não tinham atingido maturidade total. “Um quilo é um pacote de açúcar. Este procedimento, em bebés de peso normal, acima dos três quilos, já se faz com certo à vontade”, mas para uma criança com tão baixo peso nem sequer há material específico, afirmou cardiologista pediátrico responsável pela intervenção, Rui Anjos.

 

Os médicos precisaram então de recorrer a “material que se utiliza habitualmente para tratar artérias coronárias num adulto”. “Foi o que usámos para fazer a dilatação neste bebé, primeiro com um cateter, depois com fios e balões. Dilatámos a válvula, correu bem, sem intercorrência nenhuma, mas foi tecnicamente difícil” e um trabalho de grande precisão, explicou o cirurgião, acrescentando que a veia da perna tinha menos de um milímetro e que a válvula tinha três milímetros. Isto significa que um movimento mais brusco poderia resultar no rompimento de um vaso sanguíneo.

 

O bebé tinha um diagnóstico pré-natal de doença cardíaca, uma estenose da válvula pulmonar. Tinha sido ainda diagnosticado que o bebé estava a acumular muitos líquidos devido a essa doença cardíaca. Quando nasceu, o bebé teve que ser logo entubado e ligado ao ventilador, revelando uma acumulação generalizada de líquido, porque a válvula que leva sangue do ventrículo direito do coração para os pulmões estava muito apertada, explicou Rui Anjos.

 

Os líquidos foram extraídos e o bebé ficou durante vários dias em situação instável, com problemas de ventilação e de ritmo cardíaco, que impediam que se realizasse o procedimento de imediato. No entanto, “à medida que o tempo foi passando, percebemos que o aperto da válvula pulmonar o impedia de progredir. Por isso, apesar do peso baixo, decidimos que bebé não iria a lado nenhum se não abríssemos a válvula”, acrescentou. Assim, foi de Santa Maria para Santa Cruz, em transporte especial do INEM para recém-nascidos, e foi submetido à intervenção sempre ventilado.

 

No próprio dia em que foi submetido à intervenção, o bebé voltou para o Hospital de Santa Maria. Cinco dias depois, o bebé já não estava ligado ao ventilador, acrescentou o cirurgião, elogiando o “trabalho extraordinário” da equipa.

 

Rui Anjos sublinhou que “mesmo internacionalmente é muito raro uma ocorrência deste tipo”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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