Interrupção da gravidez: adolescentes recorrem ao médico demasiado tarde

Estudo sobre gravidez na adolescência em Portugal

01 novembro 2013
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A interrupção da gravidez não é conseguida por mais de metade das adolescentes portuguesas, pois estas chegam demasiado tarde aos serviços de saúde, dá conta um estudo sobre gravidez na adolescência em Portugal.
 

O projeto denominado “Gravidez na Adolescência em Portugal: etiologia, decisão reprodutiva e adaptação”, que teve início em 2008 e deverá estar concluído em 2014, analisou, até à data, 1.675 jovens, entre os 12 e os 19 anos de idade, utentes de 31 hospitais e maternidades, 29 unidades locais de saúde e centros de atendimento a jovens, e 23 escolas de todas as regiões de Portugal.
 

O estudo dá conta que 53,9% destas jovens “têm o seu primeiro contacto com os serviços de saúde após as 10 semanas de gestação”, o que elimina a possibilidade de interrupção voluntária da gravidez, revelou à agência Lusa Raquel Pires, uma das investigadoras do projeto da Universidade de Coimbra, que conta com o apoio da Associação para o Planeamento da Família e da Direção-Geral de Saúde.
 

No entanto, Raquel Pires, refere que daquelas que tiveram essa possibilidade, apenas 15,1% ponderou interromper a gravidez, tendo mais de metade destas decidido posteriormente continuar com a gestação.
 

O estudo conclui ainda que a grande maioria das gravidezes adolescentes (98%) ocorrem dentro de uma relação de namoro com homens em média 4,5 anos mais velhos, por vezes adultos, e que estão fora do sistema escolar.
 

Apesar de a maioria das adolescentes ter engravidado de forma não planeada, utilizando contraceção e conseguindo identificar o que falhou no seu uso, há regiões do país com elevadas percentagens de gravidezes resultantes do não uso de contraceção, nomeadamente as regiões Centro e da Madeira.
 

“Independentemente da trajetória que conduz as adolescentes à gravidez, a baixa escolarização e/ou o abandono escolar estão entre as variáveis que mais contribuem para a amplificação do risco de gravidez adolescente”, refere Raquel Pires.
 

Nesse sentido, a investigadora defende que é necessário dar prioridade "à educação das adolescentes e dos seus parceiros sobre possíveis falhas na utilização de métodos contracetivos, o risco de gravidez a elas inerente e a ação da contraceção de emergência".
 

"Os nossos resultados espelham igualmente a necessidade de não desinvestir nas políticas de saúde que visam a promoção da utilização de contraceção, sendo ainda necessário avaliar as razões pelas quais os resultados alcançados em algumas regiões, como o Centro e a Madeira, não são totalmente satisfatórios", acrescentou.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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