Internet revela efeitos secundários desconhecidos de fármacos

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Informatics Association”

18 março 2013
  |  Partilhar:

Um estudo conduzido por uma equipa da Stanford University School of Medicine e da Microsoft Research demonstrou que a prospeção de dados dos utilizadores da internet revelou informação relativa a efeitos secundários de fármacos que até à data não tinham sido relatados.
 

O comportamento dos utilizadores da internet tem sido cada vez mais considerado como uma fonte valiosa de informação clínica. A prospeção do historial de pesquisas conduzidas por estes utilizadores revelou ser eficaz, por exemplo, no rastreio de surtos de gripe. Uma ferramenta lançada pelo Google em 2008 denominada “Flu Trends” utiliza determinadas pesquisas efetuadas pelos utilizadores para calcular, quase em tempo real, o nível de ocorrências de gripe em cada estado dos EUA.
 

Um relatório publicado em 2010 indicava que uma análise do local e frequência de pesquisas relativas à gripe na internet seguia a evolução crescente dos surtos de gripe nos EUA com a mesma precisão que os métodos de rastreio hospitalar utilizados pelos centros de controlo e prevenção de doenças norte-americanos.
 

Inspirada por estes resultados, equipa que conduziu este estudo dedicou-se a pesquisar os efeitos secundários adversos e inesperados de determinados fármacos, tomados de forma isolada ou combinados com outros, através da prospeção de dados da internet. Os fármacos escolhidos foram a paroxetina, que trata a depressão, e a pravastatina, um fármaco utilizado para baixar o colesterol.
 

Russ Altman, da Stanford University, explicou que “uma das utilizações principais da internet consiste, atualmente, na pesquisa de informação clínica. Dessa forma, achamos que as pessoas terão tendência para pesquisar fármacos que estão a tomar e respetivos efeitos secundários que estão a experienciar e que deve haver uma forma de fazermos uso dessa informação”.
 

Os autores do estudo chamaram a atenção para o facto de os efeitos secundários adversos dos fármacos poderem causar enfermidades e mesmo morte, sendo que estas consequências são muitas vezes só descobertas após a entrada do fármaco no mercado. Torna-se, assim, urgente descobrir se o fármaco apresenta efeitos secundários inesperados, quando tomado sozinho ou em conjunto com outros fármacos.
 

A equipa analisou 12 meses de historial de pesquisa em 2010, de 6 milhões de utilizadores. O número de pesquisas relativas aos fármacos, sintomas e problemas totalizava os 82 milhões. Os investigadores fizeram a prospeção desta enorme amostra de pesquisa relativamente a um efeito secundário, que consiste num maior risco de hiperglicemia (altos níveis de açúcar no sangue) provocado pela toma destes dois fármacos em conjunto.

Os resultados foram reveladores: as pesquisas de hiperglicemia para a paroxetina, ou marcas de medicamentos com esse fármaco, ascenderam aos 5%; para a prevatina os resultados não chegavam aos 4%. No entanto, para os utilizadores que fizeram pesquisas relativas a ambos os fármacos e também à hiperglicemia, a percentagem chegou aos 10%. Uma nova pesquisa com o intuito de verificar a precisão das ferramentas de prospeção de dados resultou numa percentagem ainda maior de utilizadores a procurarem dados sobre a combinação dos dois fármacos e hiperglicemia.
 

Os riscos desta ferramenta de eventuais resultados falsos positivos poderão ser minimizados se esta informação for combinada com outras fontes como fóruns de pacientes e sociais, processos clínicos, etc. Se juntarmos a isto, dados fornecidos por entidades clínicas e profissionais de saúde, poder-se-á obter listas com factos sólidos de interações medicamentosas para uso em ensaios clínicos futuros.
 

Os resultados podem oferecer novas linhas de investigação. Russ Altman acredita que os pacientes constituem uma valiosa fonte de informação sobre os fármacos e só precisamos de determinar formas de os ouvir.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.