Internet em idades precoces aumenta risco de dependência

Estudo da Universidade de Nottingham Trent

15 abril 2016
  |  Partilhar:

A utilização da internet em idades muito precoces aumenta o risco de dependência na idade adulta, bem como o seu “uso desregulado e excessivo”, dá conta um estudo da Universidade de Nottingham Trent.
 

O estudo, que decorreu entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015, contou com a participação de 1.105 internautas, com idades entre os 16 e os 75 anos, de vários países, incluindo Portugal, referiu à agência Lusa o investigador português Halley Pontes, da Universidade de Nottingham Trent, no Reino Unido.
 

Com base numa metodologia estatística robusta e sofisticada, os investigadores verificaram que uma grande parte da adição à internet pode ser explicada pelas variáveis idade, idade de iniciação ao uso da Internet e tempo despendido online semanalmente por lazer.
 

“Concluímos que, de um modo geral, a adição à internet está muito desenvolvida pelo fator da idade e iniciação ao uso da internet”, referiu Halley Pontes.
 

De acordo com o investigador, as crianças que utilizam a internet antes dos cinco, seis anos “estão potencialmente em maior risco para desenvolvimento da adição à internet”.
 

“Estes resultados revelam que os pais têm que ter alguma preocupação sobre o modo como deixam os filhos utilizarem essa ferramenta, que inclui os videojogos, porque de facto há aqui uma associação clara entre idades precoces, utilização dessas ferramentas e problemas futuros”, disse.
 

Halley Pontes defende que os pais devem exercer controlo e ajudar os filhos a autorregularem a utilização dessas ferramentas, acrescentando que, em Portugal, o acesso à internet é muito frequente em idades mais novas.
 

“Os pais ou os guardiões legais deverão ter em conta a idade com a qual permitem que os seus filhos acedam à internet”, sendo que, quanto mais precoce for permitido esse acesso, “maior a tendência para o desenvolvimento subsequente em idade adulta da adição à Internet”, refere o estudo.
 

O estudo sugere que a dependência à internet produz vários danos psicológicos e sociais, incluindo disfunções comportamentais, tal como apoiam a maioria dos estudos recentes.
 

O uso desregulado e excessivo desta tecnologia é um fator de risco importante para o desenvolvimento da dependência da internet, especialmente nos casos em que “os internautas apresentam um uso disfuncional, persuasivo e descontextualizado da internet”, refere o estudo.
Esse comportamento pode explicar-se como “navegar apenas por navegar sem haver uma necessidade académica ou profissional inerente ao uso”.
 

O estudo aponta como exemplos deste tipo de utilização “o uso constante e excessivo” das redes sociais, como o Facebook e o Twitter, serviços de mensagens instantâneas, streaming de conteúdos, etc.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.