Interface cérebro-computador permite indivíduos com síndrome de encarceramento comunicarem

Estudo publicado na revista “PLOS Biology”

03 fevereiro 2017
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Um interface cérebro-computador que decifra os pensamentos dos indivíduos que não são capazes de comunicar pode revolucionar as vidas daqueles que vivem com a síndrome de encarceramento, revela um estudo publicado na revista “PLOS Biology”.
 
Os pacientes que sofrem de paralisia completa, mas com consciência, função cognitiva, e movimento ocular preservados são classificados como tendo síndrome de encarceramento. Na ausência de movimento ocular, a condição é referida como síndrome de encarceramento total.
 
No estudo, conduzido pelos investigadores do Centro Wyss para a Bio e Neuroengenharia, na Suíça, os pacientes com a síndrome de encarceramento total foram capazes de responder “sim” ou “não” a questões orais. Uma interface cérebro-computador não invasiva detetou as respostas através da medição das alterações dos níveis de oxigénio no sangue no cérebro.
 
Os resultados vêm contrariar as teorias anteriores que defendem que as pessoas com síndrome de encarceramento total não têm raciocínio direcionado a objetivos, o qual é necessário para utilizar uma interface cérebro-computador e são, portanto, incapazes de comunicar.
 
No estudo, liderado por Niels Birbaumer, foram realizadas investigações extensas a quatro pacientes com esclerose lateral amiotrófica, uma condição progressiva que conduz à destruição completa da parte do sistema nervoso responsável pelo movimento. 
 
Os investigadores colocaram questões aos pacientes com respostas conhecidas. Verificou-se que 70% das respostas eram corretas. Foram também colocadas outras perguntas mais abertas que necessitavam de respostas “sim” ou “não”, nomeadamente, “está feliz?”. 
 
O estudo apurou que os quatro pacientes foram capazes de responder às questões pessoais, utilizando apenas o seu raciocínio. Niels Birbaumer acredita que se estes resultados forem replicados em estudos de maiores dimensões poderá ser possível restaurar a comunicação útil em estadios de síndrome de encarceramento total para os indivíduos com doenças neuromotoras.
 
O investigador referiu, em comunicado divulgado pelo Centro Wyss para a Bio e Neuroengenharia, que inicialmente ficaram surpresos com as respostas positivas quando questionaram os pacientes sobre a sua qualidade de vida. Todos tinham aceitado a ventilação artificial para conseguirem viver.
Desde que recebessem os cuidados necessários em casa, os pacientes achavam aceitável a sua qualidade de vida. “É por esta razão que, se pudéssemos tornar esta técnica amplamente disponível, esta poderia ter um grande impacto na vida quotidiana dos pacientes com síndrome de encarceramento total”, afirma Niels Birbaumer.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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