Interdicção de antibióticos diminui resistência em animais

Estudo dinamarquês demonstra que a interdição de antibióticos nas rações animais reduziu a resistência antibiótica

03 julho 2001
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Um novo estudo mostrou que a resistência a antibióticos por parte dos patogénes de porcos e galinhas foi reduzida dramaticamente após a interdição da adição de antibióticos às rações destes animais. Esta é a primeira prova, a larga escala, de que a eliminação de antibióticos na agricultura reverte a proliferação de bactérias resistentes.
 

 

O uso de antibióticos como suplementos na ração de animais é prática comum à escala mundial, por forma a promover um maior e mais rápido crescimento dos animais. Foi também sugerido que, não só nos animais mas também no homem, o uso e abuso destas substâncias em medicina e na agricultura leva a um aumento da resistência das bactérias aos antibióticos. As bactérias que causam tuberculose e pneumonia em humanos, assim como outras infecções várias em doentes de hospital estão a tornar-se cada vez mais resistentes aos antibióticos.
 

 

Nas galinhas dinamarquesas houve uma redução de resistência da bactéria intestinal Enterococcus faecium ao antibiótico avoparcina de 73%, quando a droga foi banida, para 6% o ano passado. Em porcos, a resistência da Enterococcus faecalis ao antibiótico tilosina desceu de 94% em 1995 para 28% em 2000. O seu uso foi reduzido rapidamente desde 1997.
 

 

E mais uma vantagem: a produção de porcos e galinhas após a interdição dos antibióticos aumentou em vez de diminuir.
 

 

Estudos anteriores haviam previsto que seria muito difícil reverter uma situação de resistência antibiótico. Este novo estudo parece demonstrar o contrário, o que permite um grande optimismo quanto à questão da resistência antibiótica em animais para alimentação.
 

 

Não está ainda provado que uma redução da resistência em patogénes animais leva a uma menor resistência daqueles que infectam os humanos. É sabido que as bactérias trocam facilmente de material genético entre elas. Este facto sugere que os genes que conferem resistência às bactérias de outros animais possam ser transferidos para patogénes humanos.
 

 

No entanto há autores que acreditam que uma interdição dos antibióticos na ração animal vai ter benifícios na diminuição da resistência em humanos e outros são mais cépticos em relação a isso.
 

 

A Alemanha e a Holanda interditaram o uso do antibiótico avoparcina nos útimos 5 anos e, desde então, documentaram uma redução do número de bactérias resistentes, tanto em animais como em humanos.
 

 

Helder da Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Nature

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