Interação entre cérebro e coração define a consciência de si numa pessoa

Estudo divulgado no “The Journal of Neuroscience”

03 agosto 2016
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Uma equipa de investigadores da Escola Normal Superior, em Paris, França, que inclui a cientista portuguesa Mariana Babo-Rebelo, concluiu que existe uma interação entre o cérebro e o coração, que define, numa pessoa, a consciência de si própria.
 
"Há uma interação entre o cérebro e o coração, que define o sujeito", sustentou à agência Lusa Mariana Babo-Rebelo, a finalizar o doutoramento no Laboratório de Neurociências Cognitivas da instituição francesa.
 
Para chegar a esta conclusão, a equipa, liderada pela cientista Catherine Tallon-Baudry, socorreu-se da magnetoencefalografia, uma técnica que permite mapear a atividade do cérebro através da medição dos minúsculos campos magnéticos produzidos por correntes elétricas dos neurónios (células cerebrais).
 
Vinte indivíduos saudáveis, entre os 18 e os 30 anos, foram submetidos a esta técnica. Enquanto olhavam para um ecrã, os seus pensamentos eram, ocasionalmente interrompidos por um sinal, um clarão, que aparecia nesse ecrã.
 
Os investigadores pediram, depois, aos participantes, para que se lembrassem do pensamento que tinham tido antes de serem interrompidos pelo clarão e para dizerem se o pensamento se relacionava com eles próprios.
 
A equipa analisou a atividade do cérebro durante os pensamentos que os participantes tiveram nos dois segundos que antecediam os clarões no ecrã e, posteriormente, mediu a resposta do cérebro ao batimento cardíaco.
 
"A cada batimento cardíaco, o coração envia um sinal elétrico para o cérebro, que responde a esse sinal. Uma resposta da qual podemos medir a amplitude", assinalou Mariana Babo-Rebelo, que realizou o seu mestrado no laboratório do neurocientista português António Damásio, nos Estados Unidos.
 
O grupo de investigação avaliou os sinais emitidos por dois batimentos cardíacos antes de cada clarão e a atividade produzida pelos neurónios a seguir a cada um dos batimentos.
 
Mariana Babo-Rebelo explicou que, "enquanto o sinal cardíaco é o mesmo, não havia aceleração", o sinal cerebral é diferente. "Quanto mais amplo, mais a pessoa está a pensar em si", advogou.
 
Para a investigadora, o estudo é "mais um passo para a compreensão da 'consciência de si'".
 
A equipa propõe-se desenvolver novas experiências para confirmar os resultados obtidos e estudar a interação do cérebro com outros órgãos, nomeadamente o intestino, que, segundo Mariana Babo-Rebelo, "pode estar a participar" na definição da consciência da pessoa.
 
Além disso, os cientistas querem aferir se, por exemplo, existe alguma alteração nesta interação em doentes depressivos e esquizofrénicos, em que a noção de consciência de si próprios diverge.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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