Inteligência e tamanho do cérebro podem estar relacionados
07 novembro 2001
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Determinadas regiões do cérebro dependem da herança genética e o seu tamanho pode estar directamente relacionado com a inteligência, refere uma teoria controversa resultado de investigação científica produzida nos Estados Unidos.
 

 

A investigação, conduzida na Universidade da Califórnia, centra-se em duas componentes do cérebro conhecidas como «substância cinzenta» e «substância branca», especialmente ricas em tecidos nervosos e nas ligações que possibilitam a comunicação entre as células.
 

 

Se bem que até agora tenha sido bastante controversa a ideia de que o tamanho do cérebro possa condicionar a inteligência, os investigadores afirmam ter encontrado uma relação directa entre as quantidades de «substância cinzenta» e as funções relacionadas com a linguagem e outras manifestações de inteligência.
 

 

O cérebro de Einstein
 

 

Segundo um artigo publicado segunda-feira na revista especializada Nature Neuroscience, imagens de ressonância magnética realizadas entre 40 pares de irmãos, metade deles gémeos, confirmam essa relação entre o tamanho de algumas regiões do cérebro e a inteligência.
 

 

Em Junho de 1999, investigadores da Universidade McMaster de Ontario (Canadá) descobriram que o cérebro do eminente físico e matemático Albert Einstein possuía algumas peculiaridades morfológicas que poderiam ter influenciado a sua grande capacidade de pensamento espacial e matemático.
 

 

O cérebro de Einstein, que o cientista doou à ciência para ser investigado, era muito semelhante ao da maioria das pessoas, mas as áreas relacionadas com o cálculo estavam até cerca de 15 por cento mais desenvolvidas.
 

 

Além disso, o físico que enunciou a Teoria da Relatividade não tinha a fissura comum que separa duas regiões do cérebro, o que pode ter dotado os seus neurónios de uma maior rapidez e capacidade de intercomunicação.
 

 

No estudo apresentado agora, Paul Thompson, investigador principal da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, explicou que não se pode utilizar o tamanho do cérebro em geral como um indicador da inteligência da pessoa, mas, como média estatística, a ideia é sustentável.
 

 

cérebro idêntico
 

 

Thompson, que conduziu as investigações em parceria com cientistas finlandeses, assegura que as medições efectuadas nos irmãos gémeos sobre a massa cinzenta revelam que esta área do lóbulo frontal tem um estreito controlo genético.
 

 

Uma vez que alguns irmãos gémeos são idênticos, partilham a maioria dos genes, herdados dos pais, apresentam o mesmo desenvolvimento de algumas partes do cérebro.
 

 

A investigação indica igualmente que a herança pode ser determinante noutra área do hemisfério esquerdo conhecida como região Wernicke, que desempenha um papel chave na linguagem.
 

 

Após ter sido comprovado que o desenvolvimento dessas regiões era semelhante nos irmãos idênticos, os 40 sujeitos investigados foram submetidos a um teste de inteligência.
 

 

Segundo Thompson, as experiências revelaram que os níveis de inteligência parecem ter uma relação directa com a quantidade de substância cinzenta nos lóbulos frontais dos irmãos estudados.
 

 

Os mistérios da massa cinzenta
 

 

Para o cientista, estes resultados constituíram uma surpresa total, porque, disse, «inguém poderia supor que algo tão simples como a massa cinzenta poderia afectar algo tão complicado como a inteligência.»
 

 

A substância cinzenta é uma parte do sistema nervoso central que inclui o córtex cerebral, os gânglios basais e o núcleo do cérebro, assim como o cordão espinal em forma de H que fica envolvido pela substância branca.
 

 

Os cientistas que realizaram este estudo partem da ideia de que o cérebro está divido em «módulos», cada um envolvido numa tarefa diferente.
 

 

Assim, os lóbulos frontais controlam a planificação e a avaliação de possibilidades, enquanto que áreas posteriores do cérebro são responsáveis por sentidos como a visão.
 

 

Os genes das doenças mentais
 

 

O seu objectivo no trabalho com gémeos foi provar em que medida a herança genética afecta o cérebro, a fim de descobrir genes que possam condicionar doenças como a esquizofrenia ou o autismo.
 

 

Este trabalho «proporciona o primeiro mapa do modo como os genes controlam a estrutura do cérebro», assinalou Thompson, que acredita que a relação da substância cinzenta com o número de células cerebrais pode explicar o vínculo que une o seu tamanho à inteligência.
 

 

Uma vez que esta substância está directamente relacionada com as ligações que se estabelecem entre as células, o seu maior desenvolvimento pode condicionar a inteligência, ao permitir um maior fluxo entre os impulsos trocados pelos neurónios.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

 

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