Insuficiência cardíaca: terapia preventiva é mais eficaz nas mulheres

Estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”

11 fevereiro 2011
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A terapia para prevenção da insuficiência cardíaca é duas vezes mais eficaz nas mulheres do que nos homens, dá conta um estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”.

 

Para este estudo, os investigadores da University of Rochester Medical Center, nos EUA, analisaram os resultados de um ensaio clínico publicado no “New England Journal of Medicine” o qual contou com a participação de 1.820 indivíduos oriundos dos EUA, Canadá e Europa. O estudo teve como objectivo estudar a eficácia da terapia conhecida por “ressincronização cardíaca com desfibrilhação” (CRT-D).

 

Esta nova abordagem terapêutica combina os benefícios do cardio-desfibrilhador implantado com a terapia de ressincronização cardíaca. O cardio-desfibrilhador implantado ajuda na prevenção de mortes súbitas associadas a ritmos cardíacos irregulares, enquanto a terapia de ressincronização cardíaca melhora a função cardíaca com a redução da insuficiência cardíaca e dos sintomas associados.

 

O estudo, que teve a duração de quatro anos e meio, revelou que a utilização da CRT-D reduziu a incidência de insuficiência cardíaca nas mulheres em cerca de 70 % contra 35% nos homens. Foi ainda verificado que, no caso das mulheres, a taxa de mortalidade diminuiu em 72%.

 

Para explicar estas diferenças, os investigadores referem que, entre outras razões, as mulheres são mais propensas a sofrer de doença cardíaca não isquémica, enquanto os homens sofrem com mais frequência de doença cardíaca isquémica, onde o estreitamento das artérias restringe o fluxo de sangue e o oxigénio para o coração.

 

Além disso, os investigadores também verificaram que as mulheres eram mais propensas a ter um bloqueio do ramo esquerdo, uma condição que resulta na desorganização da actividade eléctrica em todo o coração.

 

Como o bloqueio do ramo esquerdo e a doença cardíaca não isquémica conduzem a problemas cardíacos difusos, em oposição aos localizados, os investigadores acreditam que estas são as razões pelas quais as mulheres são mais sensíveis à terapia com CRT-D, um tratamento que fortalece a acção mecânica de bombeamento do coração e que coordena a actividade eléctrica do órgão.

 

O líder do estudo, Arthur J. Moss, revelou em comunicado enviado à imprensa que “estes resultados são inesperados, mas extremamente importantes pois é o único tratamento cardíaco claramente mais eficaz para as mulheres do que para os homens.”

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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