Insuficiência cardíaca: o efeito benéfico da terapia celular

Estudo publicado na revista “The Lancet”

07 abril 2016
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Uma nova terapia com células estaminais é capaz de melhorar significativamente a saúde dos pacientes com insuficiência cardíaca severa e em fase terminal, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 

O estudo apresentado na reunião anual do Colégio Americano de Cardiologia constatou que os pacientes tratados com células estaminais obtidas da sua própria medula óssea apresentaram menos mortes, hospitalizações devido a doenças cardiovasculares e consultas médicas repentinas devido ao agravamento dos sintomas, comparativamente com o grupo de controlo. Estes eventos foram denominados por endpoint primário.
 

A insuficiência cardíaca é uma condição em que o coração fica progressivamente mais fraco e não é capaz de bombear sangue suficiente para satisfazer as necessidades do organismo. Os indivíduos com insuficiência cardíaca grave e em fase terminal, conhecida como insuficiência cardíaca de classe III e IV, muitas vezes não têm opções de tratamento para além de um transplante de coração ou de um dispositivo de assistência ventricular, uma medida temporária enquanto aguardam por um transplante ao coração.
 

No estudo, os investigadores do Instituto do Coração Cedars-Sinai, nos EUA, utilizaram uma nova técnica, a ixmyelocel-T, na qual foi extraída uma amostra de medula óssea do paciente. Esta amostra foi processada de modo a aumentar as células estaminais benéficas tendo sido posteriormente injetada no músculo cardíaco do mesmo paciente. Este procedimento teve como objetivo fortalecer o coração ao aumentar o número de células funcionais do músculo cardíaco, uma abordagem conhecida por terapia regenerativa.
 

O ensaio clínico de fase 2 incluiu 109 pacientes com insuficiência cardíaca de classe III e IV. Cerca de metade dos pacientes foram tratados com células estaminais e os restantes receberam um placebo. Após 12 semanas verificou-se que os eventos cardíacos incluídos no endpoint primário ocorreram em 39% dos pacientes tratados com a terapia celular, comparativamente com os 49% no grupo de controlo.
 

Os investigadores verificaram que entre os pacientes tratados, 3,4% morreram e 37,9% foram hospitalizados devido a problemas cardiovasculares, comparativamente com os 13,7 e 49%, respetivamente, do grupo de controlo.
 

Os pacientes que receberam a terapia com células-estaminais apresentavam, em média, um período de tempo mais longo até ao primeiro evento adverso. Estes pacientes tinham também melhores resultados noutras medidas, como função cardíaca e qualidade de vida, incluindo teste de resistência e medição da quantidade de sangue bombeado para fora do ventrículo esquerdo a cada contração.
 

Tendo em conta estes resultados positivos, os autores do estudo acreditam que esta terapia poderá ser utilizada nos pacientes com insuficiência cardíaca de classe III e IV. No entanto, estes resultados necessitam de ser confirmados em estudos de maiores dimensões.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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