Insuficiência cardíaca: novo fármaco mostra-se promissor

Estudo publicado no “JACC: Basic to Translational Science”

30 dezembro 2016
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Um novo fármaco experimental, o cimaglermin, pode ajudar a restaurar a função cardíaca após insuficiência cardíaca, dá conta um estudo publicado no “JACC: Basic to Translational Science”.
 
A insuficiência cardíaca, caraterizada pela perda da função cardíaca, é uma das principais causas de morte no mundo inteiro. Uma porção significativa de pacientes com insuficiência cardíaca, particularmente aqueles com disfunção sistólica do ventrículo esquerdo grave, não respondem de forma eficaz à terapia atual.
 
Neste estudo os investigadores da Universidade de Vanderbilt, nos EUA, decidiram analisar a segurança e eficácia de única infusão de cimaglermin, que atua como fator de crescimento do coração, ajudando os elementos estruturais, metabólicos e contrateis do coração a se repararem após os danos.
 
O estudo, liderado por Daniel J. Lenihan, contou com a participação de 40 pacientes com insuficiência cardíaca que estavam a ser tratados com uma terapia médica avançada há pelo menos três meses antes do início do ensaio.
 
Os investigadores constataram que, comparativamente com os pacientes que tomaram um placebo, aqueles aos quais foi administrada a dose mais elevada de cimaglermin apresentaram um aumento sustentado na fração de injeção do ventrículo esquerdo, ao longo dos 90 dias após o tratamento, tendo atingido o pico ao dia 28.
 
De acordo com Daniel J. Lenihan, estes resultados apoiam o desenvolvimento clínico contínuo do fármaco experimental cimaglermin. No entanto, tal como toda a terapia experimental, são necessários mais estudos para determinar se os riscos e benefícios se justificam.
 
Os efeitos colaterais mais comuns foram dores de cabeça e náuseas, os quais foram temporariamente associados à exposição ao fármaco. Um paciente que recebeu a dose mais elevada do cimaglermin teve uma reação adversa que satisfez os critérios de interrupção do tratamento de acordo com a orientação da Federal Drug Administration para a lesão hepática induzida por fármaco.
 
Douglas L. Mann, editor chefe do jornal onde o estudo foi publicado, refere que apesar dos resultados terem de ser encarados como provisórios não deixem de ser muito interessantes. Em vez de bloquear os mecanismos fundamentais que conduzem aos danos cardíacos, estes achados preliminares sugerem que é possível administrar terapia para que o coração se repare através dos seus próprios mecanismos. 
 
O investigador acrescenta que se os achados deste estudo forem replicados e traduzidos em melhorias nos resultados de um grande número de pacientes em ensaios clínicos de fase II e III, representará uma mudança de paradigma na forma como médicos tratam os pacientes com insuficiência cardíaca. 
 
 ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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