Insuficiência cardíaca: níveis de glicose preveem risco de morte

Estudo publicado na revista “European Heart Journal”

09 janeiro 2015
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Os níveis de glicose dos indivíduos que dão entrada nas urgências com insuficiência cardíaca grave devem ser testados logo à chegada. De acordo com o estudo publicado no “European Heart Journal”, esta medida simples pode identificar aqueles que se encontram em risco elevado de morte precoce, hospitalizações futuras ou desenvolvimento de outros problemas de saúde.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Health Network e da Universidade de Toronto, no Canadá, demonstrou que, mesmo quando um indivíduo dá entrada no hospital sem qualquer diagnóstico prévio de diabetes e com níveis de glicose considerados normais, se os seus níveis se encontrarem acima dos 6,1 mmol/L, apresenta um risco elevado de desenvolver diabetes e morte precoce.
 

De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores contaram com a participação de 16.524 indivíduos que tinham dado entrado nas urgências hospitalares com insuficiência cardíaca aguda, entre 2004 e 2007. Os pacientes tinham entre 70 e 85 anos de idade e 56% não tinha diabetes pré-existente.
 

Os investigadores compararam os resultados dos pacientes com um grupo de indivíduos controlo que tinha os níveis de glucose entre 3,9 e 6,1 mmol/L. O estudo apurou que os pacientes sem diabetes pré-existente tinham, comparativamente com o grupo de controlo, um risco 26% maior de morte nos 30 dias seguintes à sua admissão no hospital, caso os seus níveis de glicose estivessem entre 6,1 e 7,8 mmol/L. Esta percentagem aumentou para os 50%, caso os níveis de glucose excedessem os 11,1 mmol/L.
 

Os investigadores constataram que o risco destes pacientes morrerem por causas vasculares era 28% mais elevado, caso os níveis de glucose estivessem entre 6,1 e 7,8 mmol/L, aumentando para os 64%, casos os níveis se encontrassem entre 9,4 e 11,1 mmol/L. À medida que os níveis de glicose aumentavam, também aumentava o risco de desenvolver diabetes. Os indivíduos com níveis de glicose entre 6,1 e 7,8 mmol/L apresentavam um risco 61% maior de desenvolver a doença. Caso os níveis excedessem os 11,1 mmol/L, o risco de os pacientes desenvolverem diabetes era 261% maior.
 

Relativamente aos 7.249 pacientes com diabetes pré-existente, 31% tinha níveis de glicose superiores a 11,1 mmol/L e o risco de morte por qualquer causa nos 30 dias seguintes aumentou 48%, quando comparado com o grupo controlo. Estes pacientes apresentavam ainda um risco 39% maior de serem hospitalizados por razões associadas à diabetes, como hiperglicemia, infeções da pele e tecidos moles e amputações.
 

“Os nossos resultados sugerem que a medição dos níveis de açúcar no sangue em todos os pacientes que chegam à urgência com insuficiência cardíaca aguda pode oferecer aos médicos informações de prognóstico úteis e poderão ajudar a melhorar os resultados dos pacientes. É um teste rápido, de fácil acesso e barato que poderia ser utilizado para os médicos avaliarem rapidamente o risco de um paciente e sugerir estratégias de rastreio adequadas que devem ser postas em prática”, conclui um dos autores do estudo, Douglas Lee.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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