Insuficiência cardíaca está associada com alterações cerebrais

Estudo publicado na “European Heart Journal”

06 fevereiro 2012
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A insuficiência cardíaca está associada com um declínio na função cognitiva e perda de substância cinzenta do cérebro, dá conta um estudo publicado na revista “European Heart Journal”.

 

Estas alterações podem dificultar, nomeadamente, a toma de medicação correta e atempada dos pacientes com insuficiência cardíaca.

 

Para este estudo os investigadores da University of Western Australia, na Austrália, submeteram 35 pacientes com insuficiência cardíaca, 56 pacientes com doença isquémica do coração e 64 indivíduos saudáveis, a testes cognitivos. Os participantes realizaram também ressonâncias magnéticas para avaliar se havia diferenças no volume de substância cinzenta em diferentes regiões do cérebro.

 

O estudo revelou que os pacientes com insuficiência cardíaca obtiveram piores resultados nos testes que avaliaram a memória imediata e a de longo prazo, tendo também apresentado uma menor velocidade de reação (velocidade psicomotora), em comparação com os indivíduos saudáveis. As imagens de ressonância magnética demonstraram que a insuficiência cardíaca estava associada com perda de substância cinzenta em áreas do cérebro que estão envolvidas na memória, raciocínio e planeamento de tarefas.

 

“O que descobrimos foi que tanto a doença isquémica do coração, como a insuficiência cardíaca estão associadas com perda de células em determinadas regiões do cérebro que são importantes para a modulação das emoções e da atividade cerebral. Esta perda é mais pronunciada nos indivíduos com insuficiência cardíaca, mas também pode ser observada nos pacientes com doença isquémica do coração”, revelou em comunicado de imprensa, o líder da investigação, Osvaldo Almeida.

 

Os investigadores constataram também que os indivíduos que sofriam simultaneamente das duas condições apresentavam défices ligeiros nas suas capacidades cognitivas, em comparação com os indivíduos que integravam o grupo de controlo.

 

O investigador acrescenta que os resultados do estudo indicam que “as doenças que afetam o coração podem também afetar o cérebro. Deste modo a prevenção é essencial para minimizar o impacto que as doenças cardíacas podem ter na estrutura e na função do cérebro. Estes resultados indicam que provavelmente os doentes com insuficiência cardíaca sentem dificuldades em realizar determinadas tarefas complexas, por isso, as mensagens referentes ao tratamento devem ser simples e diretas”.

 

Por último, Osvaldo Almeida revela que “os médicos e pacientes devem estar cientes que os problemas causados por uma doença cardíaca não se limitam ao coração”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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