Instituto português persegue sonho de desenvolver vacina contra a malária
15 dezembro 2002
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Um grupo de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), liderado pelo imunologista português António Coutinho, está a trabalhar numa nova estratégia vacinal contra a malária. "Sabemos que a malária é uma doença reincidente, ou seja, ao contrário, por exemplo, do sarampo, é uma doença para a qual o organismo não é capaz de criar imunidade", explicou, em declarações à Agência Lusa, António Coutinho.
 

 

Por esta razão, este grupo de investigação, designado por "Malaria Mitogens", está a tentar testar uma estratégia alternativa às vacinas clássicas. "A pergunta essencial é saber porque é que o corpo não consegue ficar imune à malária", sublinhou.
 

 

As pesquisas até agora desenvolvidas identificaram certas substâncias produzidas pelo parasita responsável pela doença, o "Plasmodium falciparum", que impedem a imunização do organismo.
 

 

Logo, a vacina terá de ser dirigida precisamente contra estas substâncias. "Trata-se de uma estratégia vacinal completamente nova que pode ou não funcionar", realçou, contudo, o investigador.
 

 

A malária ameaça dois mil milhões de pessoas, infecta entre 300 a 500 milhões e mata, anualmente, entre 1,5 e 2,7 milhões.
 

 

Esta pesquisa, apoiada directamente pela Fundação Calouste Gulbenkian por ser considerada um projecto transversal, iniciou-se em 2002 e tem uma duração prevista de três anos.
 

 

No entanto, a divulgação recente do genoma do parasita que causa a malária e do mosquito responsável pela transmissão da doença pode permitir acelerar o trabalho.
 

 

Em Outubro, um consórcio internacional de investigadores anunciou a descodificação do genoma do parasita "Plasmodium falciparum", o mais perigoso agente causador do paludismo, e o da sequenciação do genoma do mosquito "Anopheles Gambiae", principal vector do parasita.
 

 

O grupo de investigação do Instituto Gulbenkian de Ciência é actualmente constituído por dois pós-doutorados, dois estudantes de doutoramento e um técnico, estando prevista para Janeiro a chegada de outro pós-doutorado de São Tomé e Príncipe.
 

 

Paralelamente à investigação imunológica, outros grupos do IGC procuram atacar o problema da malária através da investigação em genética, tentando, por exemplo, descobrir que genes conferem imunidade à doença em determinadas pessoas.
 

 

"Esta linha de investigação está bastante mais desenvolvida: os cientistas já conseguiram determinar em ratinhos as regiões cromossómicas que conferem esta imunidade, faltando agora identificar qual é o gene", disse.
 

 

António Coutinho, 56 anos, dirige o IGC desde 1998, depois de ter chefiado o laboratório do Instituto Pasteur (França) entre 1992 e 1998.
 

 

Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (1970), António Coutinho doutorou-se em Microbiologia Médica pelo Instituto Karolinska de Estocolmo (1974).
 

 

Autor de mais de 450 artigos científicos, António Coutinho foi considerado em Janeiro um dos cem investigadores de imunologia mais influentes do mundo.
 

 

Fonte: Lusa
 

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