Inimputáveis sem supervisão podem ter recaídas

Alerta do estudo “Acompanhamento psiquiátrico, em ambulatório, de inimputáveis”

27 novembro 2012
  |  Partilhar:

Um estudo sobre “Acompanhamento psiquiátrico, em ambulatório, de inimputáveis” alerta que os indivíduos declarados inimputáveis pelos tribunais portugueses que deixam de ser supervisionados e abandonam a terapêutica vão descompensar e ter recaídas criminais.

 

“Os indivíduos declarados inimputáveis pelos tribunais (…) cometeram, frequentemente, criminalidade muito grave” e é necessário “evitar o abandono e descompensação dos doentes” sob o risco de repetirem os crimes, referiu o estudo do psiquiatra Fernando Almeida.

 

Em entrevista à Lusa, o psiquiatra Fernando Almeida, e professor universitário, afirma que “é absurdo” manter aqueles doentes sem uma “adequada supervisão”, após a medida de segurança ser declarada extinta.

 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que o quadro psicopatológico mais encontrado entre esta população foi a psicose (51,39%) seguida da deficiência mental (37,5%). Entre as psicoses, a psicose esquizofrénica era a mais representada (89,2%) enquanto na deficiência mental, a deficiência mental ligeira (55,6%) e a deficiência mental moderada (37%) prevaleciam.

 

“Muitos destes pacientes têm ausente ou insuficiente consciência mórbida, têm famílias frágeis e carentes, não dispõem de uma supervisão competente e atenta, e descompensam novamente após abandonarem a terapêutica”, disse.

 

O psiquiatra alertou que “frequentemente” a recaída no consumo de álcool e drogas contribui para a descompensação da doença de que padecem e que a criminalidade “irrompe novamente”.

 

O estudo integrou 72 indivíduos residentes num raio de 70 quilómetros da cidade do Porto, nos concelhos do Porto, Matosinhos, Vila Nova de gaia, Feira, Ovar, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Trofa, Barcelos, Santo Tirso, Guimarães, Fafe e Vizela.

 

A maioria dos indivíduos é do sexo masculino (95,8%), solteiros (71,8%) e tem uma idade média de 43 anos (idade máxima 74 anos e mínima de 24 anos), sendo 41% analfabetos ou com o primeiro ciclo de escolaridade.

 

A maioria foi declarada inimputável, sofre de “psicoses”, designadamente “psicose esquizofrénica”, e cometeu criminalidade sobretudo contra as pessoas, a maioria das vezes muito grave, nomeadamente, homicídios. Por estas razões, o psiquiatra Fernando Almeida reitera que libertar estes doentes das instituições sem uma adequada supervisão “é inadmissível”.

 

O estudo conclui também que as famílias continuam a ser o suporte e apoio fundamental e quando, por exaustão, inexistência ou outro motivo, não se constituem como suporte eficaz dos doentes, nomeadamente, no âmbito do tratamento psiquiátrico, a probabilidade de descompensarem e se manterem por longos períodos descompensados é muito maior.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.