Inibição da actividade bacteriana reduz crescimento tumoral

Estudo publicado no “Nature Medicine”

11 maio 2010
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Investigadores da University of California, nos EUA, descobriram que as bactérias que colonizam habitualmente o tracto intestinal parecem promover o crescimento de tumores em ratinhos geneticamente modificados. No entanto, este crescimento pode ser impedido se os ratinhos forem expostos a um inibidor de uma enzima envolvida na tumorogénese.

 

Os autores do estudo sugerem que pode ter sido identificada uma nova forma de tratamento para os indivíduos que sofrem de polipose adenomatosa familiar, uma doença hereditária que causa a formação de numerosos pólipos benignos, especialmente no cólon e no recto, que, senão foram tratados, podem resultar em cancro colorrectal. O tratamento actual consiste, essencialmente, na cirurgia profilática - remoção dos pólipos antes de se tornarem cancerígenos.

 

Neste estudo publicado na revista “Nature Medicine”, os investigadores avaliaram as interacções entre um grande número de bactérias que colonizam o tracto gastrointestinal e a parede da mucosa intestinal. Normalmente, as bactérias e o sistema gastrointestinal estabelecem uma espécie de homeostasia. No entanto, a presença destas bactérias pode ser prejudicial nos hospedeiros susceptíveis.

 

Os autores do estudo constataram que os ratinhos que foram geneticamente modificados de forma a minimizarem a polipose adenomatosa familiar humana ficaram vulneráveis a factores inflamatórios produzidos pela actividade bacteriana normal. A inflamação constante aumentou a expressão de um oncogene denominado de “c-Myc”: os animais desenvolviam muitos tumores nos intestinos e tipicamente não sobreviviam mais do que seis meses.

 

Contudo, após terem administrado um inibidor da enzima denominada de “extracellular signal-related kinase”, ou ERK, os investigadores verificaram que este impedia a tumorogénese intestinal, permitindo que o c-Myc se degradasse mais rapidamente e aumentasse o tempo de sobrevivência dos ratinhos.

 

Caso este tipo de tratamento, que está actualmente em fase de ensaios clínicos, se mostre seguro e eficaz, os investigadores revelam que ele poderá ser considerado uma opção de tratamento para os indivíduos que sofrem de polipose adenomatosa familiar.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A

 

 

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