Ingrediente antirrugas poderá prevenir Parkinson

Estudo publicado na revista “Cell”

22 agosto 2013
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Uma equipa de investigadores descobriu que um ingrediente utilizado nos cremes antirrugas poderá fazer mais que tratar rugas.

 

Os investigadores da University of California in San Francisco (UCSF), EUA, descobriram que a kinetina trifosfato, ou KTP, possui o potencial, para além de tratar as rugas, de prevenir a doença de Parkinson precoce. A descoberta poderá conduzir ao desenvolvimento de fármacos para prevenir a típica morte dos neurónios nos doentes de Parkinson.

 

As mutações que causam o mau funcionamento da enzima PINK1 são diretamente responsáveis por muitos casos de Parkinson precoce. O estudo teve por base a análise da utilização da kinetina trifosfato (uma hormona vegetal que promove a divisão celular) como forma de aumentar a atividade da enzima PINK1 mutante.

 

A perda de atividade das enzimas PINK1 é nociva para as mitocôndrias (partes das células responsáveis pela conversão da energia dos alimentos em formas alternativas de energia utilizadas pelas células). Quando o desempenho das mitocôndrias é comprometido, dá-se a morte dos neurónios que produzem dopamina na área do cérebro denominada substância negra. Esta área do cérebro controla o movimento, e a falta da dopamina causa tremores e rigidez, que são sintomas da doença de Parkinson.

 

A equipa, liderada por Kevan Shokat, debruçou-se sobre o substrato natural da PINK1, denominado ATP, que é uma molécula que se une à enzima e desencadeia uma rápida transformação química, que encoraja a atiçação da enzima Parkin.

 

A Parkin e a PINK1 trabalham assim em conjunto para monitorizar a saúde das mitocôndrias, ajudando a desencadear a reparação ou eliminação das mitocôndrias danificadas no interior das células, encorajando a sobrevivência das mesmas.

 

Neste estudo, investigadores substituíram o substrato natural da PINK1 pela kinetina, conseguindo aumentar a atividade da enzima PINK1 mutante nos neurónios para níveis quase normais. “À luz do facto de as mutações na PINK1 produzirem a doença de Parkinson nos humanos, a descoberta que a kinetina pode aumentar a atividade das PINK1 mutadas para níveis quase normais levanta a possibilidade de a kinetina poder ser utilizada para tratar esses pacientes”, afirmou o cientista.

 

Foi também descoberto que a kinetina aumenta a atividade enzimática dos neurónios com PINK1 normais para além dos níveis típicos. Esta descoberta poderá ser relevante para as formas mais comuns da doença de Parkinson em que a PINK1 não se encontra mutada, já que estudos anteriores demonstraram que quando a PINK1 revelava hiperatividade num modelo de mosca-da-fruta, o movimento anormal da doença de Parkinson causado por outro defeito era atenuado.

 

“A kinetina é uma molécula a ser investigada, porque já é vendida em farmácias como um creme antirrugas tópico”, afirma Kevan Shokat, investigador principal do estudo do Howard Medical Institute da UCSF. “Então sabemos que este químico já foi utilizado em pessoas e é seguro”, conclui.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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