Inglesa luta pelo direito ao suicídio assistido

Paciente com doença degenerativa grave quer que o marido a ajude a morrer sem ser incriminado legalmente

20 agosto 2001
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Dianne Pretty tem 47 anos e uma doença degenerativa grave que a impede de ter uma vida normal. Decidiu, então, que o caminho para a sua “libertação” seria a morte. Dianne vive na cidade inglesa de Luton e está a travar uma das maiores disputas contra a Justiça inglesa pelo direito ao suicídio, consagrado na legislação britânica de direitos humanos.
 

 

Apesar de ter o apoio da Sociedade da Eutanásia Voluntária e da entidade defensora dos direitos civis Liberty, na semana passada, o director de acusações públicas recusou-se a “ilibar” o marido de um processo judicial caso Brian ajude a mulher a suicidar-se.
 

 

Mas Dianne não baixou os braços e decidiu recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça britânico alegando que esta decisão a submete a um tratamento desumano e degradante, o que contraria a legislação britânica sobre direitos humanos.
 

 

O casal está disposto a ir até ao fim pelo direito à eutanásia. Brian Pretty, marido de Dianne, disse à BBC que, para seguir com o suicídio assistido, vão lutar por uma mudança na lei. "Nós iremos a tribunal. Lutaremos no tribunal e, se perdermos, vamos apelar, porque eu quero que ela tenha seu último desejo realizado."
 

 

Dianne Pretty, casada com Brian há 25 anos, foi diagnosticada em 1999 com uma doença degenerativa dos neurónios, e o seu estado de saúde tem piorado gradualmente.
 

 

"Ela não consegue andar, usar as mãos ou braços, e a sua fala está muito limitada. O modo mais fácil de descrevê-la é dizer que ela é como um bebé, mas com o conhecimento e o pensamento de uma pessoa adulta", disse Brian.
 

 

Os que defendem a decisão de Dianne - entre eles, os seus filhos, Clara, de 24 anos, e Brian, de 22 - dizem que ela está segura do que quer, mas fisicamente incapacitada de se suicidar sem ajuda.
 

 

No início do ano, Dianne escreveu uma carta ao primeiro-ministro Tony Blair onde solicitava que a lei sobre a eutanásia voluntária fosse modificada.
 

 

A médica Vivienne Nathanson, presidente da comissão de ética da Associação Médica Britânica, disse simpatizar com o esforço da família Pretty, mas afirmou que dificilmente ganharão a causa na Justiça. "É sempre muito difícil dizer, depois da morte, se a pessoa queria mesmo morrer ou se, na verdade, foi morta."
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

Fonte: BBC
 

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