Ingestão de fibra: porque é tão importante?

Estudo publicado na revista “Cell”

23 novembro 2016
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Quando os microrganismos do sistema digestivo não obtêm a fibra natural necessária, começam a danificar a camada natural de muco que reveste o intestino, causando uma erosão ao ponto de as bactérias perigosas invasoras infetarem a parede do intestino, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.
 
Uma equipa internacional de investigadores demonstrou o impacto da privação de fibra nos intestinos de ratinhos que nasceram e foram criados sem microrganismos intestinais próprios. Os animais receberam posteriormente um transplante de 14 bactérias que normalmente crescem no intestino humano. 
 
Na opinião dos investigadores, estes achados têm implicações na compreensão não apenas do papel da fibra na dieta normal, como também na possibilidade de utilizar a fibra para contrariar os efeitos dos distúrbios do trato digestivo.
 
No estudo, os investigadores, liderados por Eric Martens, utilizaram um modelo animal gnotobiótico (sem microrganismos) e técnicas genéticas avançadas para determinar que bactéria está presente e ativa em determinadas circunstâncias. Foi analisado o impacto das dietas com diferentes teores de fibra e sem fibra. Alguns animais foram infetados com determinadas estirpes de bactérias que causam aos animais o mesmo que a Escherichia coli (E. coli) provoca aos humanos, infeções intestinais que conduzem à irritação, inflamação, diarreia e outros distúrbios.
 
O estudo apurou que nos animais alimentados com uma dieta que continha 15% de fibra, proveniente de cereais minimamente processados e plantas, a camada mucosa manteve-se grossa e a infeção não foi completa. No entanto, quando não foi incluída fibra na dieta, mesmo que durante poucos dias, alguns microrganismos começaram a “comer” o muco. A ingestão de uma dieta pré-biótica (dieta com formas purificadas de fibra solúvel, encontrada em alguns alimentos processados ou suplementos) resultou numa erosão semelhante do muco.
 
Os investigadores observaram que o tipo de alimentação alterava a população bacteriana. Algumas espécies de bactérias no microbioma transplantado eram mais comuns em condições com níveis baixos de fibra e outras em condições com níveis elevados de fibra.
 
As quatro bactérias que cresceram mais num ambiente com níveis mais baixo de fibra foram as únicas que produziram enzimas capazes de digerir as longas moléculas de glicoproteínas que constituem a camada mucosa. Foram identificadas mais de 1.600 enzimas diferentes capazes de degradar hidratos de carbono, semelhante ao observado no intestino humano normal.
 
Tal como as bactérias, a mistura de enzimas alteravam de acordo com a dieta dos ratinhos, sendo que a privação ocasional da fibra conduziu a uma maior produção de enzimas capazes de degradar o muco.
 
As imagens realizadas à camada mucosa demonstraram que quanto menor era a ingestão de fibra mais fina era a camada. Quando os animais foram infetados com Citrobacter rodentium, bactéria semelhante à E. coli, estas cresceram mais nos ratinhos que não ingeriam fibra. Muitos dos animais começaram a mostrar sinais de doença, perda de peso e inflamação.
 
Eric Martens conclui que, apesar de o estudo ter sido realizado em animais, os resultados sugerem que a adoção de uma dieta rica em fibra de fontes naturais diversas é benéfica. A dieta influencia diretamente a microflora, o que pode influenciar a camada mucosa do intestino e a tendência para o desenvolvimento da doença.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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