Inflamação: nova abordagem de tratamento

Estudo publicado na revista “Nature Materials”

17 junho 2016
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Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu nanopartícluas, denominadas leucossomas, a partir das células imunitárias do próprio paciente que foram capazes de tratar com sucesso a inflamação ao ultrapassarem os mecanismos complexos de defesa do organismo. O estudo publicado na revista “Nature Materials” pode conduzir a uma vasta gama de aplicações para o tratamento de doenças caracterizadas pela inflamação, como cancro e doenças cardiovasculares.
 

As recentes abordagens utilizadas no tratamento de doenças inflamatórias têm falhado, uma vez que, como o sistema imunitário já se encontra excessivamente ativado, trata as nanopartículas como invasores e elimina-as do organismo, impedindo que estas atinjam o seu alvo.
 

De forma a tentar ultrapassar este obstáculo, a equipa liderada pelos investigadores do Instituto de Investigação Metodista de Houston, nos EUA, inspirou-se na composição das células imunitárias.
 

As células imunitárias, como os leucócitos, circulam livremente nos vasos sanguíneos, reconhecem a inflamação e acumulam-se nos tecidos inflamados. Estas funções são conseguidas através da utilização de recetores específicos e ligandos presentes à sua superfície. No estudo, os investigadores purificaram os leucócitos de um paciente e integraram os seus ligandos e recetores na superfície do leucossoma. “Através dos próprios materiais do organismo, construímos um sistema de administração de fármacos camuflado com o sistema de defesa do organismo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Ennio Tasciotti.
 

Na sua forma normal, a inflamação aguda é uma parte necessária e benéfica da defesa do organismo contra as infeções. Contudo, em determinadas circunstâncias, a inflamação pode danificar ou destruir as células saudáveis. Isto ocorre nas doenças autoimunes, como na artrite reumatoide, lúpus e doença inflamatória do intestino, bem como noutras doenças, como na doença de Alzheimer, cancro, doença cardiovascular e diabetes tipo 2.
 

Os leucossomas são capazes de atingir os tecidos inflamados, uma vez que têm as mesmas propriedades de superfície que as membranas das células imunitárias a partir das quais são feitos. De forma a avaliar a eficácia dos leucossomas como veículos de transporte de fármacos, os investigadores desenvolveram vesículas derivadas dos leucócitos de ratinhos e encheram-nas como um anti-inflamatório, o dexametasona.
 

Após a administração dos leucossomas verificou-se que estes se ligavam à superfície dos vasos sanguíneos que circundavam o tecido inflamado e “entregaram” o fármaco seletivamente às células afetadas. Os animais tratados apresentavam sinais de melhorias, incluindo resolução de inflamação, uma redução significativa da espessura do tecido e uma inversão da resposta imune que é frequentemente observada na inflamação.
 

Ennio Tasciotti refere que o sucesso deste ensaio inicial é encorajador e sugere que as membranas purificadas de qualquer outro tipo de células podem ser utilizadas como nanotransportadores para tratar outras doenças.
 

“Ao combinar a biologia celular com a nanotecnologia podemos desenvolver ferramentas clínicas que funcionam de acordo, e não contornando, as leis da natureza”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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