Inflamação hepática não alcoólica: medicamento para daqui a cinco anos?

Declarações de um especialista

13 julho 2015
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Investigadores americanos acreditam que dentro de cinco anos haja um medicamento que cure a galopante “epidemia” da inflamação hepática não alcoólica.
 
“Não existe ainda um medicamento” para a inflamação do fígado ou esteatose-hepática não alcoólica (EHNA) e, por vezes, “um novo fígado é a única opção para muitas pessoas”, disse à agência Lusa o investigador Joel Levine.
 
O investigador, que dirige as especialidades de gastroenterologia, hepatologia e nutrição do Centro Médico do Hospital Pediátrico Morgan Stanley, em Nova Iorque, considerou que atualmente “os médicos têm pouco a oferecer aos pacientes com EHNA”, além da recomendação para comerem menos e melhor e fazerem mais exercício”.
 
Contudo, por ter um potencial com enorme procura, dado tratar-se de uma doença crónica – um mercado anual avaliado em 31,5 milhões de euros –, e também devido a um maior conhecimento das formas pelas quais esta patologia melhora ou piora, muitas farmacêuticas estão já a testar alguns fármacos, sublinhou.
 
Das várias possibilidades testadas sobressaiu “o ácido obeticholic, que tem vindo a impressionar os investigadores uma vez que reduz a quantidade de cicatrizes no fígado”, consequência da doença em estado grave.
 
Deste modo, o especialista acredita que se está num momento "crucial" na história do combate a esta doença hepática e que, “dentro de cinco anos, poderemos ter pelo menos um medicamento aprovado”.
 
“A inflamação do fígado ou esteatose-hepática não alcoólica, associada à obesidade, decorre do excesso de gordura no fígado e, como o nome indica, não resulta do abuso de álcool", como se julgava antes, frisou o cientista, acrescentando que esta patologia “origina muitos casos graves" da doença conhecida como "fígado gordo", que pode "destruir o órgão e levar à necessidade de um transplante ou até mesmo à morte”.
 
Apesar de haver propensões genéticas associadas a quem se torna obeso ou desenvolve a doença do "fígado gordo", e com ou sem lesão das células, “as mudanças na dieta e pouco exercício são as razões para este problema”, explicou.
 
O fígado funciona como um agente de trânsito para as gorduras resultantes das calorias que são consumidas acima das necessidades, referiu Joel Levine, apontando que por essa razão “o fígado começa também a armazená-las em excesso” e, nalguns casos, gera inflamação que pode levar à insuficiência hepática, ao cancro e à morte.
 
Trata-se de “uma 'epidemia' que está inclusivamente a surgir em lugares improváveis como a Índia rural. É um problema em todo o mundo", insistiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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