Inflamação crónica conduz a um desequilíbrio do sistema sanguíneo

Estudo publicado na revista “Nature Cell Biology”

02 maio 2016
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A inflamação crónica conduz a um desequilíbrio dos diferentes tipo de células sanguíneas, o que pode resultar num fornecimento deficiente de oxigénio, imunodeficiência e predispor para o desenvolvimento de cancro, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Cell Biology”.
 
A inflamação evoluiu para funcionar durante períodos curtos de tempo, direcionando os recursos para o combate de infeções e reparação de tecidos danificados. Contudo, durante longos períodos de tempo, esta condição torna-se bastante tóxica.
 
A interleuquina-1 (IL-1) é uma citoquina que está envolvida na sinalização do sistema imunitário para que este recrute e ative células inflamatórias necessárias para proteger e reparar incidentes agudos de infeção ou lesão. No entanto, níveis elevados de IL-1 são uma característica da inflamação crónica, habitualmente observada no envelhecimento, e em várias condições, como a obesidade e diabetes tipo 2, que estão associadas à dieta e estilo de vida ocidental.
 
Eric M. Pietra, um dos autores do estudo, explica que se um indivíduo estiver a trabalhar num estado constante de emergência, fica stressado e menos eficaz. “Acredito que as células estaminais sanguíneas funcionem da mesma forma”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 
Apesar de as células estaminais hematopoiéticas estarem habitualmente dormentes na medula óssea, acordam ocasionalmente para manter níveis sanguíneos adequados nos indivíduos saudáveis. Neste estudo, os investigadores da Universidade de Colorado, nos EUA, verificaram que estas células são muito sensíveis a alterações do meio ambiente e reagem em conformidade. 
 
As células estaminais hematopoiéticas são muito sensíveis aos níveis de IL-1, produzindo células mieloides necessárias para combater o que elas reconhecem como sendo uma crise de infeção ou lesão. Se o sinal da IL-1 não parar, as células estaminais hematopoiéticas continuam a produzir estas células. No entanto, nestas circunstâncias, deixam de conseguir regenerar-se e de construir corretamente o restante sistema sanguíneo. Isto pode resultar num número deficiente de eritrócitos, o que reduz a capacidade de fornecimento de oxigénio para as células ou uma diminuição da produção de novas células linfoides, o que deixa o sistema potencialmente imunodeficiente.
 
Através de experiências realizadas em ratinhos, os investigadores verificaram que é possível reverter os efeitos da inflamação crónica nas células estaminais sanguíneas, possivelmente através da utilização de terapias já disponíveis para bloquear sinais inflamatórios como os da IL-1. 
 
No geral, o estudo demonstra, pela primeira vez, que as células estaminais se adaptam para satisfazer o que reconhecem como necessidades do organismo.
 
“Durante décadas, reconhecemos a importância destas células estaminais da medula óssea em lidar com uma crise, ao mesmo tempo que mantêm a estabilidade do sistema sanguíneo. Agora demonstrámos que as condições no resto do organismo podem ter profundas implicações na forma como as células estaminais se comportam, tanto no sangue como, provavelmente, em muitos outros tecidos”, concluiu Eric M. Pietra.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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