Inflamação associa depressão à esclerose múltipla

Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

12 julho 2016
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Os pacientes com esclerose múltipla têm níveis mais elevados de depressão que a população geral, incluindo aqueles com doenças debilitantes. Investigadores americanos descobriram que a inflamação no hipocampo, uma zona do cérebro envolvida na génese e manutenção da depressão e na patologia da esclerose múltipla, altera a sua função e contribui para os sintomas de depressão, dá conta um estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”.
 
Os sintomas da esclerose múltipla resultam de uma resposta alterada do sistema imunitário. A resposta imunitária também tem sido associada à depressão, o que levou os investigadores do King's College London, do Imperial College London e do Centro Imanova para as Ciências Imagiológicas, no Reino Unido, a equacionar se poderia haver um mecanismo patológico comum que conduzia a um dos sintomas depressivos nos pacientes com esclerose múltipla. 
 
Para o estudo, os investigadores, liderados por Paul Matthews e Eugenii Rabiner, utilizaram duas técnicas imagiológicas cerebrais complementares para avaliar a relação entre a resposta imunitária no hipocampo, ligações funcionais e os sintomas depressivos de 13 pacientes com esclerose múltipla e em 22 indivíduos saudáveis, que funcionaram como grupo de controlo. 
 
A tomografia de emissão por positrão permitiu a quantificação das microglia ativadas, uma medida da resposta imunitária. Por outro lado, a ressonância magnética funcional permitiu avaliar a força das ligações no hipocampo a uma extensa rede de regiões cerebrais envolvidas na emoção. 
 
Alessandro Colasanti, o primeiro autor do estudo, referiu que as imagens capturadas através da tomografia de emissão por positrão revelaram a ativação do sistema imunitário no hipocampo dos pacientes com esclerose múltipla. Verificou-se que a gravidade dos sintomas depressão aumentava com os níveis de inflamação. 
 
As medições das ligações cerebrais funcionais obtidas através da ressonância magnética funcional durante o período de descanso demonstraram que a ativação imunitária no hipocampo alterava as suas ligações com outras regiões cerebrais. 
 
O investigador conclui que estes dois métodos imagiológicos avançados sugerem que a inflamação no hipocampo afeta a função cerebral e causa depressão.
 
Os autores do estudo concluem que o tratamento eficaz e direcionado para a inflamação do cérebro poderá ajudar a restaurar a função cerebral e proteger contra a depressão na esclerose múltipla. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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