Inflamação afeta centro de recompensa do cérebro

Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

04 fevereiro 2016
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O centro de recompensa do cérebro, o corpo estriado, pode ser diretamente afetado pela inflamação e estas alterações estão associadas com o aparecimento de comportamentos de doença, sugere um estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”.
 

A inflamação aumenta o risco de depressão. Mais especificamente a inflamação induz alterações de comportamento similares à depressão que estão frequentemente associados à doença, incluindo fadiga, dificuldade de concentração, falta de motivação e redução do prazer.
 

Para o estudo os investigadores da Universidade de Sussex, no Reino Unido, recrutaram 23 pacientes com hepatite C que começaram um tratamento com interferon-alfa (INF-a). Este tratamento provoca uma resposta inflamatória imediata, a qual foi confirmada pela medição de determinadas proteínas (citoquinas) no sangue.
 

Quatro horas após o início do tratamento, os participantes foram submetidos a um exame imagiológico específico, que demonstrou que haviam alterações microestruturais no corpo estriado. Estes resultados sugerem que o corpo estriado é altamente sensível ao INF-a.
 

O tratamento com INF-a também induziu fadiga e depressão nos pacientes, particularmente entre a quarta e a décima segunda semana de tratamento. Curiosamente, a alteração estrutural inicial do corpo estriado previu o aparecimento posterior de fadiga, mas não de depressão.
 

As alterações no corpo estriado foram heterogéneas com algumas alterações associadas ao risco de fadiga, enquanto outras alterações pareciam proteger contra o desenvolvimento da fadiga.
 

“A inflamação associada à fadiga e depressão são grandes problemas clínicos. Este estudo dá conta que as regiões do cérebro envolvidas na recompensa e motivação estão diretamente alteradas pela inflamação, de uma forma que pode predispor ou proteger contra o desenvolvimento da fadiga, mas não da depressão. A resposta heterogénea do corpo estriado sugere que a fadiga e humor são suportados por diferentes microcircuitos dentro do corpo estriado”, revelou, em comunicado de imprensa, o diretor da revista onde o estudo foi publicado, John Krystal.
 

Na opinião de um dos autores do estudo, Neil Harrison, estes resultados são importantes uma vez que mostram que uma simples ressonância magnética pode ser utilizada para medir os efeitos da inflamação no cérebro.
 

“A inflamação está cada vez mais envolvida na causa de doenças mentais comuns, particularmente na depressão. Esta técnica pode ser uma forma de identificar os pacientes que são mais sensíveis aos efeitos da inflamação no cérebro. Esta também pode ser utilizada para monitorizar a resposta a novas terapias anti-inflamatórias que estão atualmente a ser testados na depressão”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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