Infertilidade: no caminho de novas alternativas terapêuticas

Estudo realizado pela University of Muenster

03 maio 2013
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Investigadores alemães identificaram as variações genéticas que afetam uma das hormonas envolvidas na fertilidade podendo assim conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos para a infertilidade masculina e feminina, dá conta um estudo apresentado no European Congress of Endocrinology.
 

O funcionamento adequado da hormona folículo estimulante (FSH, sigla em inglês), que é produzida pela glândula pituitária dos homens e mulheres, é necessário para garantir a fertilidade. Nos homens adultos esta hormona é essencial para normal produção dos espermatozoides. Por outro lado, a FSH regula nas mulheres a maturação dos óvulos e a síntese de estrogénios pelos ovários.
 

A FSH liga-se a recetores específicos presentes nas superfícies das células do ovário, testículos, e útero. No entanto, para que a hormona produza o seu efeito, a hormona e o recetor devem funcionar de forma apropriada.
 

Os investigadores da University of Muenster, na Alemanha, analisaram recentemente as variações no gene FSH e no seu recetor, os quais afetam a fertilidade masculina e feminina. Foi verificado que a alteração de um único nucleótido na estrutura do ADN de uma das subunidades da hormona afetava significativamente o funcionamento desta, tanto nos homens como nas mulheres. A alteração da estrutura do ADN do recetor da FSH também causava alterações na fertilidade. Os autores do estudo constataram que caso o ADN da hormona e o seu recetor sofressem alterações, a fertilidade dos homens diminuía bastante.
 

Neste estudo os investigadores, liderados por Joerg Gromoll's, contaram com a participação de 1.231 homens e 365 mulheres. Foi verificado que os homens que apresentavam variações numa das subunidades da FSH apresentavam níveis significativamente mais baixos da hormona, bem como um menor volume dos testículos. Caso os homens apresentassem variações genéticas tanto na hormona como no seu recetor, este efeito era ainda mais pronunciado, tendo os investigadores observado uma diminuição de cerca de 34% na quantidade de espermatozoides.
 

Por outro lado, os níveis de FSH nas mulheres que apresentavam as duas variações genéticas aumentou, enquanto os níveis de progesterona diminuíram. No entanto, os investigadores referem que o número de mulheres afetado pelas duas variações não foi suficiente para ser possível retirar alguma conclusão.
 

"Estas variações genéticas têm efeitos significativos na fertilidade masculina e feminina. No caso de um homem ter as duas variações, a fertilidade é significativamente afetada. Estimamos que cerca de 45% dos homens inférteis respondem à terapia com FSH e através dos resultados deste estudo podemos identificar quais são aqueles que irão beneficiar deste tipo de terapia e em que extensão. Do mesmo modo, a identificação das mulheres com estas mutações permitirá a elaboração de tratamentos de fertilização mais personalizados, no futuro”, concluem o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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