Infertilidade associada com desregulação enzimática

Estudo publicado na “Nature Medicine”

24 outubro 2011
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Infertilidade das mulheres pode ser causada pela desregulação dos níveis de uma enzima, sugere um estudo publicado na “Nature Medicine”.
 

A infertilidade é um problema mundial que, estimam os especialistas, afecta entre 9% e 15% das pessoas em idade fértil. Mais de metade dos indivíduos afectados procura aconselhamento médico, na esperança de, finalmente serem capazes de serem pais.
 

Uma em cada seis mulheres tem dificuldades em engravidar e uma em cada 100 tem abortos recorrentes, (mais do que três abortos seguidos). Neste estudo, os investigadores do Imperial College of London, no Reino Unido analisaram amostras do tecido do útero de 106 mulheres que estavam a ser tratadas no Imperial College Healthcare NHS Trust devido a problemas de infertilidade ou abortos recorrentes, que já ocorriam há dois anos e para os quais não se conhecia a causa.
 

Os investigadores liderados por Jan Brosens, descobriram que as mulheres que tinham problemas de fertilidade apresentavam níveis elevados de uma enzima, a SGK1, na parede do útero, enquanto as mulheres que sofriam de abortos recorrentes tinham baixos níveis desta enzima.
 

De forma a perceber qual a relevância dos níveis da SGK1, os investigadores realizaram experiências em ratinhos tendo verificado que os níveis desta enzima diminuem durante a janela fértil. Quando aumentaram a expressão do gene que codifica a SGK1 na parede do útero dos ratinhos, os cientistas verificaram que estes deixavam de conseguir engravidar, sugerindo assim que o declínio dos níveis desta enzima é essencial para tornar o útero receptivo ao embrião.
 

Os investigadores também constataram que quando bloquearam a expressão do gene que codifica a SGK1, os ratinhos não apresentaram qualquer problema em engravidar. Contudo, os animais tiveram crias mais pequenas e apresentaram sinais de hemorragia no útero, o que sugere que a ausência da SGK1 potencia a ocorrência de abortos.
 

Experiências realizadas em células do útero de mulheres que tinham tido abortos recorrentes mostram que estas apresentavam níveis mais baixos da SGK1, em comparação com células controlo. Quando bloquearam o gene, tanto nas células humanas como nas dos ratinhos, os investigadores verificaram que estas perdiam a capacidade de se proteger contra o stress oxidativo. O que, de acordo com os autores do estudo, poderá explicar porque é que níveis baixos de SGK1 são mais comuns nas mulheres que tiveram abortos recorrentes.
 

Os investigadores concluem que o controlo dos níveis desta enzima poderão ajudar, no futuro, a resolver os problemas de fertilidade das mulheres e ajudar, por outro lado, na criação de um novo método contraceptivo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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