Infertilidade associada a maior risco de morte em mulheres

Estudo apresentado no Congresso Científico e Exposição de Medicina Reprodutiva, EUA

06 novembro 2017
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Um novo estudo demonstrou uma associação entre a fertilidade e a mortalidade em geral, bem como a um risco maior de morte por cancro da mama e diabetes.
 
Com efeito, o estudo conduzido por investigadores da Faculdade de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, EUA, apurou que as mulheres com um historial de infertilidade apresentam um aumento no risco de morte de 10% e de 20% na morte associada ao cancro, em comparação com as que não revelaram problemas de infertilidade.
 
Para investigarem a associação entre a infertilidade e a mortalidade nas mulheres, os investigadores contaram com dados de 78.214 mulheres que tinham participando no ensaio clínico de rastreio conhecido como Cancro da Próstata, Pulmão, Colorretal e do Ovário (“Prostate Lung, Colorectal, and Ovarian (PLCO) Cancer”, no seu original em inglês) do Instituto Nacional do Cancro, EUA.
 
As mulheres tinham sido recrutadas para o estudo entre 1992 e 2001 e foram seguidas durante 13 anos ou até saírem do estudo ou morrerem.
 
A equipa investigou nos dados recolhidos o efeito da infertilidade relatada, considerada como um ano ou mais sem conceber, sobre todas as causas de mortalidade e na primeira causa de morte. 
 
Foi apurada uma percentagem de 14,5% de infertilidade. No final do período de acompanhamento, as mulheres não férteis apresentavam uma propensão 10% maior de morrerem em comparação com as mulheres que tinham engravidado mais facilmente, embora os autores tenham ressalvado que as mulheres férteis e não-férteis tinham morrido em idades semelhantes.
 
Relativamente a cancros relacionados com a reprodução, foi observado que as pacientes com infertilidade apresentavam uma maior tendência a morrerem devido a cancro da mama. No entanto não foi encontrada associação semelhante para o risco de cancro do ovário e morte por cancro do ovário e do endométrio. 
 
Mais, a infertilidade foi associada a uma propensão de morte por diabetes 70% maior, apesar da incidência da doença ter sido comparável entre ambos os grupos. 
 
Face aos resultados, Natalie Stentz, autora principal do estudo comentou que os mesmos “levantam questões significativas sobre os efeitos de longo-termo da infertilidade e se é a própria infertilidade ou um problema subjacente que predispõe um indivíduo a ter infertilidade que faz com que estes riscos sejam mais elevados”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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