Infeções virais crónicas podem contribuir para o declínio cognitivo

Estudo publicado na revista “Alzheimer's Disease and Associated Disorders”

10 fevereiro 2016
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Algumas infeções virais crónicas podem contribuir para a deterioração cognitiva dos indivíduos idosos aparentemente saudáveis, sugere um estudo publicado na revista “Alzheimer's Disease and Associated Disorders”.
 
O Centro de Controlo e Prevenção das Doenças (CDC, sigla em inglês), nos EUA, define a cognição como uma combinação de processos mentais que inclui a capacidade de aprender novas coisas, a intuição, o julgamento, a linguagem e a memória. Um indivíduo com uma função cognitiva afetada tem problemas com estes processos, os quais afetam as tarefas diárias. 
 
Vários estudos têm indicado que existe uma associação entre a exposição ao citomegalovírus, ao Herpes vírus tipo 1 (HSV-1) e tipo 2 (HSV-2), assim como o protozoário Toxoplasma gondii e uma diminuição na função cognitiva.
 
“O nosso estudo é um dos poucos a avaliar a exposição viral e o funcionamento cognitivo ao longo de um período de tempo num grupo de idosos. É possível que estes vírus, que podem permanecer no organismo por muito tempo após a infeção, desencadeiem alguns efeitos neurotóxicos”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Vishwajit Nimgaonkar.
 
Para o estudo, os investigadores analisaram sinais de exposição a vírus em amostras de sangue de mais de mil indivíduos com pelo menos 65 anos. Ao longo de cinco anos, os participantes foram avaliados anualmente de forma a investigar alterações na função cognitiva ao longo do tempo.
 
Os investigadores constataram que a exposição ao citomegalovírus, HSV-2 ou toxoplasma estava associada a diferentes aspetos do declínio cognitivo nos idosos, o que poderia explicar o que é frequentemente considerado um declínio associado à idade.
 
“Numa perspetiva de saúde pública isto é importante, uma vez que estas infeções são muito comuns e estão disponíveis várias opções preventivas e de tratamento. À medida que aprendemos mais sobre o papel que os agentes infeciosos têm no cérebro, poderemos desenvolver novas estratégias de prevenção para os problemas cognitivos”, conclui uma das autoras do estudo, Mary Ganguli.
 
Os investigadores estão atualmente a tentar determinar se existem subgrupos de indivíduos cujos cérebros sejam mais vulneráveis à infeção viral crónica.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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