Infeções respiratórias: eficácia de antibiótico posta em causa

Estudo publicado na revista “Lancet Infectious Diseases”

21 dezembro 2012
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Um dos antibióticos comumente mais prescritos para o tratamento das infeções do trato respiratório inferior, a amoxicilina, não alivia os sintomas deste tipo de infeção, refere um estudo publicado na revista “Lancet Infectious Diseases”.
 

“A toma de amoxicilina para tratar infeções respiratórias em pacientes sem suspeita de terem pneumonia é provável que não os ajude e até possa ser prejudicial. O uso excessivo de antibióticos, especialmente quando não são eficazes, podem conduzir a efeitos secundários e desenvolvimento de resistência”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Paul Little, da University of Southampton, no Reino Unido.
 

A infeção do trato respiratório inferior é uma das doenças mais comuns dos países desenvolvidos. Apesar dos vírus serem os responsáveis pela maioria destas infeções, ainda não está perfeitamente esclarecido se a toma de antibióticos é benéfica, particularmente para os idosos.
 

Neste estudo os investigadores da Genomics to Combat Resistance against Antibiotics in Community-acquired LRTI in Europe (GRACE) contaram com a participação de 2.061 adultos, oriundos de 12 países europeus, com infeção do trato respiratório inferior não complicada. Os pacientes foram submetidos a um tratamento com amoxicilina ou placebo, três vezes por dia, ao longo de sete dias. Os sintomas foram avaliados no início do estudo e os pacientes preencheram diariamente um questionário sobre os seus sintomas.
 

O estudo apurou que havia pouca diferença na severidade ou duração dos sintomas entre os dois grupos. Isto verificou-se mesmo para os pacientes saudáveis com 60 ou mais anos de idade, tendo os antibióticos produzido um efeito limitado.
 

Os investigadores também constataram que os pacientes que tomaram antibióticos apresentaram mais efeitos secundários, incluindo náusea e diarreia, comparativamente com os do grupo placebo. “Os nossos resultados desmontaram que maioria das pessoas recupera por si só”, referiu Paul Little.
 

“Estes resultados devem encorajar os médicos a ter algum cuidado na prescrição de antibióticos para o tratamento de indivíduos de baixo risco, que não apresentem suspeita de pneumonia. A medição de biomarcadores sanguíneos específicos para as infeções bacterianas poderá ajudar a identificar os poucos indivíduos que irão beneficiar do tratamento com antibióticos. Desta forma consegue-se evitar os efeitos tóxicos, o custo dos fármacos, e o desenvolvimento de resistência para os outros pacientes”, referiu Philipp Schuetz, da University of Basel, na Suíça.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  

 

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