Infeções respiratórias: diminuição de antibióticos é benéfica

Estudo publicado no “British Medical Journal”

07 julho 2016
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A redução da prescrição de antibióticos para as infeções das vias respiratórias, como constipações, dores de garganta e otites, não está associada a um aumento de complicações bacterianas graves, como é o caso da meningite bacteriana, atesta um estudo publicado no “British Medical Journal”.
 

A maioria das infeções das vias respiratórias são causadas por vírus e melhoram sem qualquer tratamento. A toma de antibióticos tem poucos efeitos na duração e severidade dos sintomas associados a estas condições, mas podem conduzir a efeitos secundários.
 

Na verdade, a utilização inadequada e generalizada dos antibióticos está a contribuir para o desenvolvimento de estirpes de bactérias resistentes aos antibióticos.
 

O estudo liderado pelos investigadores do King's College London, no Reino Unido, analisou o registo de mais de quatro milhões de pacientes, ao longo de dez anos. Verificou-se que uma taxa mais baixa de prescrição de antibióticos para as infeções das vias respiratórias não estava associada a taxas mais elevadas de complicações bacterianas graves incluindo, meningite, mastoidite (infeção do osso localizado atrás da orelha), empiema (infeção do revestimento dos pulmões), abcesso cerebral ou síndrome de Lemierre (uma infeção da veia jugular no pescoço).
 

Os investigadores verificaram que os médicos de clínica geral que prescreviam menos antibióticos tinham taxas ligeiramente mais elevadas de pneumonia e abscesso perintonsilar, uma complicação pouco frequente das dores de garganta. Estas duas condições podem ser tratadas com antibióticos após serem identificadas.
 

Os autores do estudo estimam que se uma unidade de saúde média de sete mil pacientes reduzir a prescrição de antibióticos para as pessoas com infeções das vias respiratórias em 10%, pode haver um caso adicional de pneumonia e de abscesso perintonsilar a cada ano e a cada dez anos, respetivamente.
 

Por outro lado, a redução de antibióticos também diminui o número de indivíduos que são alvo dos efeitos secundários. Cerca de 10% das pessoas que toma este tipo de fármacos têm efeitos secundários comuns, como erupções cutâneas, diarreia e vómitos, incluindo os efeitos mais raros como anafilaxia.
 

“Como médico de família, vejo poucas complicações nos pacientes com infeções das vias respiratórias superiores que decidem optar por uma abordagem sem antibiótico para tratar as infeções. Os pacientes estão a reconhecer que a maioria das infeções das vias respiratórias superiores são infeções virais e estas infeções não respondem aos antibióticos”, conclui um dos autores do estudo, Mark Ashworth.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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