Infeções podem afetar QI

Estudo publicado no “PLOS One”

27 maio 2015
  |  Partilhar:
Um novo estudo dinamarquês revela que as infeções podem ter impacto nas nossas capacidades cognitivas, medidas através do Quociente de Inteligência (QI).
 
Qualquer pessoa está sujeita a infeções, sejam elas gástricas, urinárias ou de pele. No entanto, um estudo realizado pela Universidade de Aarhus e pela Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, revela que os problemas para o doente não terminam quando a infeção é curada e que estas podem, aliás, afetar as capacidades cognitivas deste.
 
O estudo, de âmbito nacional, contou com a participação de 190 mil dinamarqueses nascidos entre 1974 e 1994, submetidos a uma avaliação do QI entre 2006 e 2012. Destes participantes, 35% recorreram ao hospital devido a uma infeção antes de terem realizado o teste para avaliar o QI.
 
“A nossa investigação revela uma correlação entre a hospitalização devido a infeção e alterações cognitivas correspondentes a um QI inferior em 1,76 pontos em relação à média. Pessoas com cinco ou mais hospitalizações devido a infeções apresentaram um QI mais baixo em 9,44 pontos em relação à média”, refere Michael Eriksen Benrós, um dos autores do estudo.
 
De acordo com o investigador, o estudo demonstra haver uma relação entre o número de infeções e a capacidade cognitiva. A investigação revelou ainda que quanto mais próxima no tempo e mais grave era a infeção, maior era o impacto na cognição.
 
O cientista adianta que “parece que o próprio sistema imunológico pode afetar o cérebro a tal ponto que a capacidade cognitiva de uma pessoa medida através de um teste de QI poderá ficar afetada vários anos após a cura da infeção”.
 
A explicação poderá estar no facto de as infeções poderem afetar o cérebro não só diretamente, como através de uma inflamação periférica, o que afeta não só o cérebro como também a capacidade mental de um indivíduo.
 
Benrós justifica esta possibilidade com o facto de estudos anteriores haverem já associado infeções a depressão e esquizofrenia, e de já ter sido provado que as infeções podem afetar as capacidades cognitivas de pessoas com demência.
 
Contudo, “este é o primeiro grande estudo a sugerir que as infeções podem também afetar o cérebro e as capacidades cognitivas em pessoas saudáveis”, explicou Benrós.
 
Desta forma, os cientistas consideram importante investigar no futuro os mecanismos subjacentes à relação entre o sistema imunológico e a saúde mental.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.