Infeções hospitalares e a falta de pessoal

Anéis e gravatas não são os culpados

07 novembro 2013
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A atribuição das infeções hospitalares à utilização de anéis, pulseiras e gravatas por parte dos médicos são para a Ordem dos Médicos afirmações “avulsas e absurdas”.
 

Na semana passada, o secretário de Estado e Adjunto da Saúde disse, durante a apresentação de um relatório sobre infeções e resistência aos antimicrobianos, que o governo admitia a proibição dos médicos usarem anéis, pulseiras, alianças ou gravatas.
 

Há um conjunto de instrumentos - anéis, pulseiras, alianças - que “sabemos que são potenciais veículos de transmissão”, com os quais “as minhas colegas insistem, muito alinhadas, em ir trabalhar”, declarou, na altura, Fernando Leal da Costa.
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, a afirmação não agradou à Ordem dos Médicos (OM), para quem “enfatizar os anéis, as pulseiras, as gravatas e os estetoscópios como corresponsáveis principais da elevada taxa de infeções hospitalares em Portugal é impróprio de um alto dignitário do Ministério da Saúde, particularmente quando o ato é acompanhado de comentários brejeiros”.
 

A Ordem dos Médicos rejeita “meras afirmações avulsas, absurdas e despropositadas, alijadoras das responsabilidades do Ministério da Saúde e que nada de construtivo ou consequente acrescentam a esta gravíssima problemática”, lê-se num comunicado.
 

Para a Ordem, existem alguns problemas “bem mais graves do que anéis e gravatas e que em muito contribuem para o panorama português quanto à utilização de antibióticos e à taxa de infeções hospitalares, com particulares responsabilidades para o Ministério da Saúde e o Governo”.
 

Entre os problemas avançados pela OM está a “não contratação de recurso humanos suficientes para hospitais, nomeadamente enfermeiros e auxiliares, o que corrompe a qualidade dos cuidados prestados.
 

A “inadequada limpeza e higienização dos hospitais, incluindo os sistemas de ventilação” e a existência de “instalações inapropriadas, envelhecidas e obsoletas”, bem como as “distâncias entre camas hospitalares que não respeitam regras de segurança” são indicados pela OM como problemas mais graves do que os anéis, as pulseiras e as gravatas dos médicos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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