Infeções dos recém-nascidos: uma questão de baixa memória imunológica?

Estudo publicado no “Journal of Immunology”

18 junho 2014
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O sistema imunológico dos recém-nascidos é visto, à luz da crença popular, como um sistema fraco que torna as crianças mais suscetíveis ao desenvolvimento de infeções. Contudo, o estudo publicado no “Journal of Immunology” defende que, na verdade, o sistema imune dos recém-nascidos responde mais rapidamente às infeções e é mais forte do que o dos adultos, tendo no entanto uma memória imunológica mais pequena.
 
O sistema imunológico é composto por uma rede de células, tecidos e órgãos que protegem o organismo contra os patogénios, como bactérias e vírus. Sabe-se que nos primeiros meses de vida, os bebés não são capazes de combater as infeções da mesma forma que os adultos. Contudo, até à data, ainda não se sabia ao certo por que motivo isto ocorria.
 
Os investigadores da Universidade de Cornell, nos EUA, explicam que a “força” do sistema imune de um indivíduo depende da formação de linfócitos T de memória. Estas células são capazes de se “lembrar” dos contactos prévios que tiveram com os agentes patogénicos. Assim, sempre que os encontram de novo, são capazes de responder de uma forma rápida e eficaz. Na verdade, os adultos produzem um número elevado de linfócitos T durante a infeção e cerca de 10% destas células adquirem uma memória de longa duração.
 
Contudo, os investigadores verificaram que o mesmo não ocorre nas crianças. Após terem estimulado o sistema imune de adultos e crianças com o mesmo tipo de infeção, foi verificado que os linfócitos T produzidos pelas crianças tinham uma resposta mais rápida e mais forte. No entanto, estas células tinham um tempo de vida curto e uma baixa memória.
 
Desta forma, o sistema imune é obrigado a iniciar o mesmo processo de aprendizagem vezes sem conta, sempre que encontra o mesmo patogénio ao longo da vida.
 
Na opinião dos investigadores, esta descoberta poderá ajudar a desenvolver novas formas de imunização que poderão proteger mais eficazmente os bebés e crianças contra doenças infeciosas. 
 
“A vacina ideal seria apenas constituída por um única dose ao nascimento, que fosse capaz de gerar uma imunidade de longa duração. Esse tipo de vacina ainda não existe porque até agora não se compreendeu por que motivo as crianças perdem a imunidade tão rapidamente. Os nossos resultados podem porém alterar a forma como as crianças são imunizadas e em última análise conduzir a formas mais eficazes de aumentar a imunidade no início da vida”, revelou, em comunicado de imprensa o líder do estudo, Brian Rudd.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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