Infeções do grupo da cegueira dos rios dificulta controlo da doença em Angola

Declarações do coordenador do Programa das Doenças Tropicais Negligenciadas

29 dezembro 2015
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A presença de várias infeções do grupo das filárias em algumas províncias de Angola está a impedir o avanço das autoridades sanitárias no controlo dessas doenças, nomeadamente da oncocercose ou cegueira dos rios. 
 
A informação avançada à agência Lusa, pelo coordenador do Programa das Doenças Tropicais Negligenciadas, Pedro Van-Dúnem, refere que este ano foi concluída a primeira fase do mapeamento de doenças como a oncocercose ou cegueira dos rios, da elefantíase ou 'pé de elefante', da dranculiase ou verme-da-guiné, da hematúria ou bilharziose intestinal.
 
A conclusão do mapeamento destas doenças nas províncias de Luanda, Huambo, Bié, Benguela, Cuanza Sul, Cunene, Namibe e Huíla, foi referenciado no discurso de fim de ano do ministro da Saúde de Angola, José Van-Dúnem, como um dos ganhos alcançados em 2015.
 
De acordo com Pedro Van-Dúnem, a primeira fase do mapeamento permitiu concluir que a oncocercose não é uma preocupação além da província do Bié.
 
O responsável adiantou que de uma maneira específica há já uma noção da situação da oncocercose nas províncias já mapeadas.
 
"Só que, infelizmente, como é da família das filárias, a intervenção para o controlo obedece a critérios. Portanto, o medicamento não pode ser administrado numa área onde existem as três filárias (oncocercose, dranculiase e loase) ao mesmo tempo e existem províncias nesta condição, onde as pessoas têm co-infeções", referiu.
 
O especialista explicou que a administração do medicamento para o controlo da oncocercose pode provocar efeitos secundários graves, muitos deles mortais.
 
"Então, se administrarmos os medicamentos nestas condições e houver efeitos secundários graves, depois as pessoas no país acabam por rejeitar o medicamento, esta é a grande questão", disse Pedro Van-Dúnem.
 
Relativamente à oncocercose, o responsável disse que a presença dessa endemia em algumas províncias tem de ser articulada com outros pormenores, como a presença do seu vetor, de parasitas nas pessoas e do conhecimento por parte dos residentes na comunidade.
 
Relativamente às parasitoses intestinais, o coordenador do programa referiu que elas estendem-se por quase todo o país, numa proporção mais ou menos igual, "mas não deixam de ser endémicas em quase toda a região".
 
"Por causa dos rios e os hábitos que as pessoas têm de fazer as suas necessidades – urinar e defecar – nos rios e nas lagoas, que contaminam os caracóis e assim criam o ciclo da doença", disse.
 
A segunda fase do trabalho deverá arrancar já em janeiro, possivelmente nas províncias do Uíge e do Zaire, no norte de Angola.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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